Trash – A Esperança Vem do Lixo

Wagner Moura, corrupção, favela, comunidade e política no cinema. Não estamos falando da continuação de “Tropa”, e sim do novo filme de Stephen Daldry. Ainda assim, podemos dizer que é uma produção bem brasileira: só lembramos que não é quando aparecem Rooney Mara e Martin Sheen nas poucas cenas de língua estrangeira.

>> Confira o trailer do filme!

O longa conta a saga de Rafael, Gardo e Rato, adolescentes que moram em uma comunidade vizinha a um lixão e que passam os dias catando lixo e tomando banho em rio de água suja. Seria um dia como outro qualquer se Rafael não tivesse encontrado uma carteira que guardava, além de alguma grana, objetos aparentemente desconexos. Nesse primeiro momento já nos é apresentado o caráter do personagem: em vez de esconder e ficar com todo o dinheiro, Rafael dá uma parte para Gardo e seu primeiro “investimento” é um frango para a família. Dá pra acreditar?

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Quando a polícia chega no lixão oferecendo uma recompensa para quem encontrar a carteira, Rafael logo percebe que ali tem treta e que há algo a ser descoberto. Incorruptíveis, os garotos não cedem à pressão e começam uma jornada que os leva a descobrir sérios esquemas de corrupção. O filme se desenvolve em uma perseguição de gato e rato por entre cortiços, casebres e esgotos da favela.

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Rooney Mara e Martin Sheen são, respectivamente, uma missionária e um padre que estão desenvolvendo um trabalho comunitário na comunidade. Aparentemente não tão bem à vontade no papel (e no lixo), a atuação dos dois é bem mediana, como se Stephen Daldry tivesse concentrado todos os seus esforços no trio novato de adolescentes. Os três rapazinhos fazem bonito em cenas de violência bem dramáticas, mas parecem forçar a barra em alguns momentos.

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Wagner Moura e Selton Mello, queridos do cinema nacional, cumprem bem seus papéis neste filme. Selton, a propósito, tem seu momento “estou aqui, Hollywood” em cenas como o diálogo com Rooney, quando precisa conversar em inglês.

O filme todo tem uma pegada bem cristã católica apostólica romana. Além de retratar o trabalho missionário e os muitos diálogos que revelam confiança em Deus e fé, a Bíblia surge como parte fundamental da resolução do crime. A última lição fica por conta de uma situação extrema que prova, de uma vez por todas, o caráter de Rafael.

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O roteiro deixa a desejar em alguns pontos que não ficam tão claros. As cenas de vídeo documentário exibidas durante o filme são bem sem graça e beeeeem forçadas. A escolha das músicas traz todos os clichês de um filme feito no Brasil por um gringo e só mexe meeeesmo com a gente durante a execução de uma música clássica bem suave em uma cena de violência – nada novo, também.

Os personagens alcançam a redenção pessoal através de suas boas obras e “deixam em paz” a alma de José Ângelo (Wagner Moura), morto na dúvida se seus planos dariam certo ou não. Ou seja: uma história para católico nenhum colocar defeito.

Trash Movie

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“A verdade nua e crua”

Nesse feriado de fundação da minha querida João Pessoa, procurei por um filme daqueles que descem fácil como suco de morango com abacaxi – mesmo que depois fiquem as aftas…

E o eleito foi “A Verdade Nua e Crua” e, meus amigos, desde “Esposa de Mentirinha” eu não via um filme de comédia tão insanamente tenebroso. Explico nas linhas a seguir.

A história de Abby (Katherine Heigl) e o macho-alfa Mike Chadway (Gerard Butler) se encontram nos bastidores de um programa televisivo em decadência, o qual é produzido por nossa loira protagonista (que por pouco me convence no papel).  Na tentativa de salvar a audiência, Mike é contratado para fazer um quadro chamado “A Verdade Nua e Crua”. Debochado, machista e sem vergonha, Mike rapidamente eleva os índices. E Abby, conservadora e idealista do homem perfeito, precisa mantê-lo no posto mesmo que o deteste. Ok, tá tudo bem…

Ou não, quando vemos que Mike é o rei das frases feitas sobre a cabeça masculina. Seus clichês são aqueles velhos dogmas ensinados por nossa tia recalcada que nunca casou e que estão personificados naquele cara malvadão da… 5ª série. Sim. Se não existe homem imperfeito, com certeza também não existe um Mike Chadway.

Beleza… supondo que exista um Mike Chadway e supondo que ele seja engraçado (porque conto nos dedos as cenas que ele me fez rir: 4), certamente não existe uma Abby para acreditar nele tão fácil.

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Comassim o cara que ela detesta logo se torna seu fiel confidente e que a ajuda a conquistar seu vizinho gato médico? E quando eu digo “logo”, é “logo”… coisa de 2 minutos para a relação de ódio mortal se tornar uma dependência total dos conselhos amorosos de Mike (what the hell é a cena em que ela põe um ponto no ouvido para ouvir os conselhos de Mike enquanto está com o carinha?).

SURPREENDENTEMENTE, o cara perfeito que Abby está namorando nããão é exatamente aquilo que ela esperava. Claro que não! Afinal, o filme quer dizer isso ae: “é dos garanhões safados cachorros e sem vergonhas que elas gostam mais“. O pobre do médico passa, e questão de minutos, de príncipe encantado a um debilóide sem graça e almofadinha.

SURPREENDENTEMENTE (2), Abby e Mike se apaixonam. Awwwn, que meigo! Por essa eu não esperava, cara! Fiquei de cara com a revelação!

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Só que mais tensa ainda é a cena final. Sim, o grand finale não escaparia ileso à genialidade da trama. Durante a viagem que fez com Mike para resolver negócios da empresa, o namoradinho de Abby aparece onde??? ONDE??? Se você pensou: “em algum parque do Monte Himalaia“, errou! Isso seria muito óbvio. Claro que ele ia aparecer do na-da no Hotel onde Abby e Mike estão... exatamente na hora que eles iam ENFIM concretizar a paixão super lógica que surge entre eles. Ai, ai… quase tenho um enfarte do miocárdio nessa cena.

Ok, sejamos honestos: a  presença de Gerard fazendo o Mike dá um up no filme. O cara “vestiu” esse papel como uma luva feita sob encomenda. E se eu disser que não tem uma ou outra cena bacana para dar uma risada estaria mentindo. Mas, no geral, as piadas são manjadíssimas e o roteiro um fiasco apocalíptico.

Mas era feriado… e eu estava à toa, procurando um filme que descesse fácil como um suco de morango com abacaxi. E este texto, caro leitor, são minhas aftas.

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