De fã para fã: “Songs of Innocence” (2014) – U2

“Songs of Innocence”, novo disco do U2, é tão bom que se eu tivesse 15 segundos com Bono eu não pediria uma selfie ou um autógrafo; ia dizer o quanto eu gostei do trabalho. As músicas e letras justificam a longa espera pelo CD: desde “No Line On The Horizon” foram 5 anos de pausa – embora nossos corações tenham sido confortados com “Invisible” e “Ordinary Love”.

Lançado durante o evento de lançamento do iPhone 6, ficou disponível for free para Apple users: ao abrir o iTunes e procurar pelo disco, já encontrei o mesmo como se já tivesse sido baixado. Tudo que eu tive que fazer foi sincronizar com o iPhone e tchan: tava lá na minha pasta de músicas o álbum. Marketeiros do U2, parabéns!

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Como o título sugere, o disco evoca o passado de “inocência” da banda, falando de influências musicais e pessoas e amores que fizeram parte de suas vidas. Em carta aberta aos fãs, Bono prometeu para breve um novo trabalho chamado “Songs of Experience”. Isso provavelmente faz alusão a Songs of Innocence and Experience, obra mais notável do pintor e poeta inglês William Blake e que você lê na íntegra aqui.

Se mulher não envelhece, mas fica loira; banda não fica velha, fica nostálgica.

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A primeira das 11 músicas é uma homenagem aos Ramones, banda os integrantes do U2 ouviam em sua juventude. “The Miracle” vem cheia de energia como a música do disco (inclusive foi a faixa interpretada no lançamento do iPhone) e nela The Edge se esforça para dar um tom mais punk à canção, que fala do milagre que aconteceu quando Bono ouviu Joey Ramone (foto abaixo) pela primeira vez. A próxima é a simpática “Every Break Wave“, baladinha que tem a cara que os fãs da banda já conhecem bem e é daquelas músicas que tem tudo para entrar em listinhas do tipo ~acordando numa boa~.

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Em seguida sinos e vocais chamando incessantemente por Santa Barbara anunciam “California“, que muito me agrada e tem um refrão que vai ficar mais bonito quando for cantado pela multidão dos estádios. <3

Song for Someone” surge arrebatadora, uma das mais intimistas e emocionantes. Foi escrita para Ali, o amor da vida de Bono, mas eu vejo muito de Deus nela (coisa de cristão mesmo). A energia do disco e o tom para cima seguem com “Iris“, feita para a mãe de Bono, que ficou órfão dela aos 14, e “Volcano” (esta última já entrou na minha playlist de corrida, hein). “Raised by Wolves” tem uma das minhas letras preferidas do CD e talvez a faixa onde mais gosto da voz de Bono. Nela o U2 garante a cota de música política do álbum, tratando de uma história real que Bono presenciou em sua vizinhança na conflituosa Dublin: um carro bomba havia explodido perto de sua casa – e marcado para sempre sua história.

Cedarwood Road” tem aquele clima de música de estrada e talvez seja aquela com que menos criei laços afetivos, mas ainda assim uma boa música (U2, né galera?). Já a próxima é minha preferida: “Sleep like a Baby tonight“. Letra, cordas, poesia e melodia que me encantaram e o falsete da voz de Bono como se entoasse uma canção de ninar para alguém amado. Seria o Bono criança recebendo este mimo do pai? Talvez. (Momento ooooowwnwnn)

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This is where you can reach me now” é uma homenagem ao Clash. Me faz lembrar o U2 das antigas e gosto bastante – embora não seja das preferidas. O disco encerra com “The Troubles“, com a letra cheia de verdades e Bono encerrando seu sermão deste disco. É a cantora Lykke Li que canta o refrão de uma das mais fortes letras do disco: “You think it’s easier / To put your finger on the trouble / When the trouble is you”.

E a gente fica feliz e com vontade de dar replay (e replay e replay e replay e replay…)

U2, obrigada! :)

(PS: review escrito por fã é uma droga, né? Hahahaha)

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Noé (Noah, 2014)

* CONTÉM SPOILERS*

Bem, vamos começar falando do Noé do Darren Aronofsky. O Noé de Aronofsky usa calças, gente. Calças e botas do inverno 2014. Achei genial. Mas tem algo mais importante que isso: o Noé do filme é o Russel Crowe. Temos um Noé gladiador. Mas mais importante do que isso —> o Noé da Bíblia era um cara íntegro e justo; isso que é uma das marcas do cara. Aí Darren criou um Noé vilãozão maluco da caixola com instintos assassinos e que não entendeu nada do propósito de Deus com o dilúvio….. Mas ok… Vamos chamar isso de “licença poética” (assim como o fato de eles usarem calça). Se liga no STYLE:

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Daí que nosso Noé Gladiador Psicopata é casado com a Naameh, vivida por Jennifer Connely – a mulher que nem na vida real e nem no filme envelhece – que, vale lembrar, também usa calças e botas grunge da moda. Uma diva!

Noé, Naameh e seus três filhos estão fugindo dos homens violentos, acham uma menininha chamada Ila ferida no ventre – e Noé, que também é médico nas horas vagas, imediatamente diagnostica que ela não poderá ter filhos nunca – quando entram na terra proibida dos gigantes… e aí cabe a pausa.

A Bíblia fala que na época de Noé havia Nefilins e aqui entram trocentas teorias teológicas sobre o que seriam essas criaturas… mas há somente UM CONSENSO: eram grandes, fortes e sumiram com o resto da humanidade no dilúvio. Darren criou “”””””nefilins””””” que mais pareciam descendentes de ÔNIX… só que piores. São desengonçados, com luzes brilhantes em seu interior e que – veja que lindo – viram os pedreiros de Noé na construção da arca. Certo… mais uma vez o Darren pede licença poética e nós damos… porque filme é filme…

Não achei foto dos gigantes então vai uma do Noé fazendo cosplay de Moisés…

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Aí entra o momento NOVELA DO MANOEL CARLOS e surgem imagens de Copabacana, Ipanema, Lapa, Pão de Açúcar rios, bichos, céu, etc para dizer que os anos passaram e em seguida surgem Noé com mais cabelos brancos, Sem como o bonito que sempre pega alguém, Cam como o esquisitão que não pega ninguém, Jafé que continua sendo só o filho mais novo, Ila que virou a Hermione e Naameh mais nova do que no início do filme.

Enquanto Noé constrói a arca com seus pedreiros Nefilins, Sem e Hermione nutrem um romance e como todo casal de Hollywood, tem uma barra para enfrentar. No filme, é a esterilidade da moça em uma plena época de “ide e multiplicai e povoai a Terra”. Em um lugar não muito distante, os homens maus, motivo de toda a justa ira do Criador, planejam tirar a vida de Noé e entrar na Arca para fugir da condenação do dilúvio. Pausa.

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A Bíblia fala que naquela época o pau da violência comia solto. Então se tem uma verossimilhança que eu esperava encontrar no filme era essa: SANGUE, VIOLÊNCIA, E O QUEBRA PAU MAIOR DO MUNDO. Mas não. A coisa tinha que ser bem tensa para justificar o dilúvio (como a Bíblia conta que foi)… e no filme Deus acaba parecendo uma divindade que quer destruir a humanidade por não ter nada melhor para fazer.

Começam as primeiras gotas. Cam foge para a civilização dos homens maus em busca de uma mulher – sim, porque o mundo tá acabando mas ele tem que deixar de ser virjão – e Ila vai atrás dele. Até aí nada faz muito sentido, até que nosso Gladiador pede que Sem corra atrás dos dois para trazer pra Arca pois o dilúvio está iminente. OK.

No meio do caminho Ila-Hermione se encontra com Matusalém... ainda não falei dele aqui, mas o avô de Noé no filme é um curandeiro maluco entocado o dia todo em numa caverna e viciado em frutas silvestres (aham… dorgas…) e NESTE EXATO MOMENTO o velho estava fora da tumba procurando as benditas frutas… Ila vai falar com seu bisavô, que toca em seu ventre e de repente ELA JÁ SENTE QUE NÃO É MAIS ESTÉRIL!!!!!!!!!1111!!ONZE!!11 Nisso, ela sai ENLOUQUECIDA PARA O QUE??? FAZER FILHOS COM SEM, mesmo com o irmão perdido na cidade dos maus, mesmo com o dilúvio iminente, mesmo tendo o tempo todo do mundo para brincar dessas coisas…

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Os dois voltam para a arca cansados, suados e ofegantes… de procurar o coitado do Cam… só que não! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk  Agora é o próprio Noé que sai em busca do filho, que a esta altura já está todo apaixonado e disposto a morrer por uma menina que acabou de conhecer num vale de cadáveres… Noé, que no filme é um louco psicopata, deixa a menina ser pisoteada sem esboçar nenhuma tristeza e leva o filho pra Arca.

Aí começa a luta entre os nefilins e os homens… “Finalmente um QUEBRA-PAU nesse filme“, pensei… mas durou pouco, já que os gigantes de pedra são de uma força física superior a daqueles bonequinhos de Lego que tentavam ultrapassá-los. Com o fim da luta, os gigantes do Darren alcançam a redenção subindo aos céus em forma de feixes de luz. Lindo e poético se não fosse… bizarro.

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A vida na arca é aquela coisa que eu sempre imaginei: escura, quente, com cheiro de bicho e o povo feio sem tomar banho… SÓ QUE NÃO! Hermione continua bonita e maquiada, Sem com a barba feita, Noé com a mesma cara de psicopata, Naameh mais nova do que no começo, Jafé sendo o mesmo filho mais novo sem graça e Cam… CAM AJUDANDO O HOMEM MAU QUE CONSEGUIU ENTRAR NA ARCA! Sério… muito bom. Voto em Cam para o novo vilão da nova novela das 20h.

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Como não seria diferente, Hermione engravida e Noé, que é o DEMÔNIO DA TASMÂNIA no filme, disse que se nascer uma menina, ele vai a matar com as próprias mãos para evitar a proliferação da imunda raça humana… ENTENDEU MUITO SERTO o propósito de Deus de acordo com a Bíblia. Aí, que coisa… não nasce uma menina… NASCEM DUAS MENINAAAAS!!!!!!!!!!!11!!!1 Enquanto rola a cesariana (ok… foi parto normal… mas uma cesariana era só o que faltava em um filme que rola no começo do mundo com pessoas de calça, bota e espadas de fogo) Noé tá lá muito ocupado matando o homem mau e depois já sobe com sangue nos olhos para matar as gêmeas. Hermione poderia lançar um feitiço… mas fica cantando e isso comove Noé, que beija as netas em vez de cometer a atrocidade.

Aí todos chegam em terra firme. Noé descobre as uvas e o vinho e acorda sem roupa com areia na boca, Cam pede pra sair e todos vivem felizes para sempre.

Numa escala de 0 a 10 Hermiones, minha nota para o filme é:

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ATENÇÃO (principalmente para os cristãos): não procurem Bíblia no filme Noé. Procurem Bíblia na Bíblia, cinema é arte e arte não precisa de justificativa. Estou tirando onda porque, COMO CINEMA, achei o filme bem aquém do que eu esperava mesmo. É aquela coisa: como toda boa adaptação, o LIVRO É MELHOR ;)

É preciso uma paciência de Jó e uma sabedoria de Salomão para aguentar os #Fails do filme…

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