Eu Escolhi Desencanar

Que o movimento “Eu Escolhi Esperar” tem suas bizarrices muita gente já sabe. O EEE (vamos chamar assim por motivo de economia de lesão por digitação) prega, dentre outras coisas, a chegada de uma pessoa perfeita escolhida por Deus para você. Trata seus seguidores como principezinhos e princesinhas do Pai que terão relacionamentos que deixariam “Zé” de Alencar, grande romântico dO Guarani, morrendo de inveja. Há outros pontos criticados – a comercialização exagerada do movimento, a ideia de “corte” que Sarah Sheeva aplaude de pé e otras cositas más.

Mas, talvez, a parte dele que mais me dá nos nervos está no nome ESPERAR.

4Antes que você ache que vou implantar a nova heresia do pedaço, se acalme; não vou – já temos gente suficiente fazendo isso. Me refiro a essa vibe do movimento que deixa todo mundo literalmente à espera da chegada de sua tampa da panela, focando nesse assunto como não houvesse frigideiras no amanhã. Sabe andar na rua à noite sozinha sempre na expectativa de ser assaltado, onde todo mundo é suspeito? Mesma coisa. Suas antenas do amor não desligam um só minuto porque qualquer novo amigo ou amiga que você faz, bem, pode ser AQUELA PESSOA.

O EEE deixa todo mundo meio surtado. A página vomita nas redes sociais fotos de meninas loiras e bonitas com rapazes mais lindos ainda de mãos dadas, olhando para o horizonte e a seguinte legenda em fonte Monotype Corsiva: “não vou desistir de esperar que Deus tem para mim” e outras de deprimir qualquer moça solteira em fase de TPM.

Isso, somado a essa pressão maluca da sociedade que diz que alguém só está feliz quando o status do Facebook aponta um “relacionamento sério”, deve estar deixando muitas adolescentes meio piradinhas. Elas estão esperando que um cara perfeito, verdadeiro príncipe do Senhor, chegue em um carro branco (cavalo é demodé, mas branco continua em voga). Aí a Princesa Disney se depara, de repente, com um relacionamento de gente, de carne e osso, de verdade verdadeira. Sem trilha sonora de Crepúsculo, sem enredo do Nicholas Sparks, sem o toque de John Green. Apenas… como… a… vida… é.

Por tudo isso e mais um pouco, quero disseminar um novo movimento: EU ESCOLHI DESENCANAR.

LOL

Colega, na boa: deixa de esperar. E, principalmente, deixa de esperar a tampa certinha dessa tua panela que nem tu sabes direito a forma que tem. “Aquela” pessoa normalmente “desencaixa” em um monte de aspectos. Vem cheia de problemas, manias e defeitos – igual a você. Tem uma história de vida que nem sempre combina com a sua e planos de futuro diferentes dos seus, que vocês precisarão ajustar caso queiram ficar juntos.

Desencana de tentar descobrir a pessoa que Deus escolheu para você. Faça você suas escolhas, mantenha seu pensamento nas coisas do Alto e busque glorificar a Deus em tudo que faz. Tem como errar desse jeito? Tem não.

Vai viver, vai estudar, aprende um esporte, faz um curso online de tricô, qualquer coisa! Já sei: cria um blog, é excelente pra quem não tem o que fazer, hehehe. Porque, ao contrário do que dizem por aí, quem espera nem sempre alcança. Mas uma coisa é fato: quem desencana vive mais leve e  SEMPRE se surpreende.

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Sobre micro paixões fulminantes

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Há quem ache que estar apaixonado é bom – e eu sou dessas pessoas ridículas que defendem essa teoria com fórmula matemática e tudo. Gosto de sentir o coração explodindo a cada batida, de andar na rua cantando Caetano e sentir o brilho dos meus olhos iluminando a noite e revelando o que eu não quero. Mesmo que não dê em nada. Afinal, se é para sofrer, que seja de amor e desamores.

Estar apaixonado em começo de relacionamento; apaixonar-se todos os dias pela mesma pessoa… tudo isso é muito bom. A mínima certeza de algo nos deixa bem. Agora, as micro paixões fulminantes mexem com a gente. Bagunçam minutos do nosso dia. Às vezes segundos. Não há nelas garantias e finalmente percebemos como é difícil adestrar o bicho coração.

Certa vez eu estava em Recife em uma daquelas peregrinações feitas por centenas de paraibanos quando precisam comer a famigerada costelinha do Outback. Foi enquanto subíamos a escada rolante quando o vi. Na escada ao lado. Descendo. Em direção contrária. Nos olhamos. Abaixei a fronte provavelmente ruborizada. Olhei novamente: persistente, ele continuava me observando. Quase tropeço no “ponto final” da escada. Virei o pescoço. Ele sorriu e saiu do shopping, usando um terno imponente e seguindo seu destino com um adeus silencioso que eu quase pude ouvir.

Outro dia estava a trabalho no Rio de Janeiro e fui correr na calçada de Copacabana, campeã das estampas de cangas de praia, chinelos e cartões postais. Ele vinha com mais dois amigos, correndo em minha direção como em cena de filme. Hum, era saudável… Acho que tinha uma tattoo tribal no ombro (algo que eu poderia relevar por amor). Nos olhamos, nos cruzamos e ambos olharam para trás duas ou três vezes. Talvez quatro. Até que o perdi para sempre.

Tive outra paixão arrebatadora pelo rapaz de óculos hipster com headphones. Tinha barba e pinta de nerd. Ostentava no colo um exemplar de “O Remorso de Baltazar Serapião”, livro que até hoje tenho vontade de ler por causa dele. Este caso foi platônico: o rapaz nem “tchum” para mim. Nem uma olhadinha sequer. Frustração, depressão. Os 5 estágios de um término vividos em 3 minutos. Desci do ônibus. Passou.

Fora eles, houve outros. Na fila do banco, debaixo do mesmo quiosque de praia esperando a chuva passar. Ligação por engano. Diante de uma prateleira de supermercado analisando o mesmo produto. Só que, nesses casos, a paixão é silenciosa. Uma palavra sequer não pode ser trocada.

O bom nesses casos é aflorar seu lado freudiano e interpretar gestos, roupas e sorrisos. Será que ele passa madrugadas jogando videogame? Torce para o Flamengo? Talvez seja do tipo que pega doce na mesa do bolo em festa de criança. Será que, como eu, se preocupa com o melhor filtro para o Instagram ou acha isso uma bobagem? Será que vota no PT? Ah, não. Isso eu não perdoaria.

Talvez essas paixões avassaladores de 5 segundos nos preparem para para sofrer dignamente por paixões de verdade. Que valem o sofrimento. Se não faz sofrer (nem que seja de saudade apertando no peito ou de ciúme besta) não é paixão das boas. Daquelas que viram amor. Amor de 5 meses, 5 anos, de toda uma vida. Apaixone-se.

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