“Garota Exemplar” (2014), um thriller sobre casamento, mídia e psicopatias sociais

O que eu mais gosto nos filmes de David Fincher (além de serem filmes de David Fincher, claro) são os personagens de David Fincher. Estratégicos, profundos, difíceis e longe de serem entendidos com análises superficiais do tipo “mocinhos ou vilões”. São humanos em demasia: com o caráter posto à prova em situações extremas, mostram um lado surpreendente – para quem está dentro e fora da tela.

“Garota Exemplar” (Gone Girl, 2014) segue esta linha. O novo thriller do diretor, que já brilha no gênero desde “Seven” (1995), “Quarto do Pânico” (2002 ) e “Zodíaco” (2007 ) envolve uma complicada relação entre marido e mulher e seus desdobramentos trágicos.

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Nick (Ben Affleck) e Amy (Rosamund Pike) se conhecem em uma festa e daí você já sabe: se apaixonam e decidem viver uma linda e açucarada história de amor. Os dois se casam e vivem bem até o dia que Amy desaparece e a casa onde o casal vivia apresenta indícios de que houve ali um homicídio. TAN DAN DAN!

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O enredo é desenvolvido em fragmentos de narrativa, com idas e vindas no tempo e misturando fatos do presente e do passado – estes com base nos escritos de Amy em seu diário pessoal – o que torna o filme ainda mais envolvente e faz com que o espectador sinta-se como um detetive do caso.

Vamos, aos poucos, conhecendo a intimidade do casal a partir das revelações do diário e flashbacks do passado. O relacionamento perfeito, daqueles que a gente vive se perguntando se existe mesmo, havia se tornado um caos. A dificuldade financeira era um agravante e Nick já não era o mesmo. Ao passo que começamos a entender (ou a achar que entendemos) a história dos dois, a investigação do crime aponta para um Nick culpado pela morte da própria esposa.

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Nick se vê em meio ao espetáculo sensacionalista que se transformou o caso. A mídia, que não fala de outro tema, induz toda a população a detestá-lo sem maiores comprovações e explicações. Sem saber o que fazer e prestes a ser condenado, Nick chega a pedir ajuda, e aí vai mais uma crítica irônica, a um advogado especialista em casos de homens que matam suas esposas.

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Um dos pontos altos da história, tanto em termos de composição de cena, atuação e momento dramático, fica por conta de uma cena tarantinesca muito bem conduzida pelo diretor. A cada segundo ficamos abismados com a verdadeira transformação pela qual os personagens passam ao longo do desenrolar dos fatos.

Com reviravoltas e sequências que me fizeram esquecer que passei 150 minutos na sala de cinema, o filme de Fincher permite que o espectador faça seus próprios julgamentos até apresentar, enfim, seu desfecho – que não satisfaz completamente os tarados por finais redondinhos.

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O diretor consegue extrair o melhor de Ben Affleck (o que não é tão difícil, né, gentem) e da bonitona Rosamund Pike, ambos com atuações brilhantes. O desenvolvimento e a (des)construção de caráter e personalidade dos personagens são muito bem conduzidos, tanto do casal protagonista como de personagens secundários que não deixam a desejar (que é o caso de Margo, irmã gêmea de Nick, e Rhonda, detetive do caso).

Crimes e psicopatias à parte, “Garota Exemplar” é um filme que critica a imprensa, as aparências de um casamento falido, o amor em sua forma mais doentia e trata das várias nuances de personalidade que podemos assumir quando estamos diante de situações extremas. Frio, satírico e surpreendente, o filme é daqueles que a gente fica torcendo para que leve algumas boas estatuetas de Oscar para casa.

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De fã para fã: “Songs of Innocence” (2014) – U2

“Songs of Innocence”, novo disco do U2, é tão bom que se eu tivesse 15 segundos com Bono eu não pediria uma selfie ou um autógrafo; ia dizer o quanto eu gostei do trabalho. As músicas e letras justificam a longa espera pelo CD: desde “No Line On The Horizon” foram 5 anos de pausa – embora nossos corações tenham sido confortados com “Invisible” e “Ordinary Love”.

Lançado durante o evento de lançamento do iPhone 6, ficou disponível for free para Apple users: ao abrir o iTunes e procurar pelo disco, já encontrei o mesmo como se já tivesse sido baixado. Tudo que eu tive que fazer foi sincronizar com o iPhone e tchan: tava lá na minha pasta de músicas o álbum. Marketeiros do U2, parabéns!

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Como o título sugere, o disco evoca o passado de “inocência” da banda, falando de influências musicais e pessoas e amores que fizeram parte de suas vidas. Em carta aberta aos fãs, Bono prometeu para breve um novo trabalho chamado “Songs of Experience”. Isso provavelmente faz alusão a Songs of Innocence and Experience, obra mais notável do pintor e poeta inglês William Blake e que você lê na íntegra aqui.

Se mulher não envelhece, mas fica loira; banda não fica velha, fica nostálgica.

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A primeira das 11 músicas é uma homenagem aos Ramones, banda os integrantes do U2 ouviam em sua juventude. “The Miracle” vem cheia de energia como a música do disco (inclusive foi a faixa interpretada no lançamento do iPhone) e nela The Edge se esforça para dar um tom mais punk à canção, que fala do milagre que aconteceu quando Bono ouviu Joey Ramone (foto abaixo) pela primeira vez. A próxima é a simpática “Every Break Wave“, baladinha que tem a cara que os fãs da banda já conhecem bem e é daquelas músicas que tem tudo para entrar em listinhas do tipo ~acordando numa boa~.

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Em seguida sinos e vocais chamando incessantemente por Santa Barbara anunciam “California“, que muito me agrada e tem um refrão que vai ficar mais bonito quando for cantado pela multidão dos estádios. <3

Song for Someone” surge arrebatadora, uma das mais intimistas e emocionantes. Foi escrita para Ali, o amor da vida de Bono, mas eu vejo muito de Deus nela (coisa de cristão mesmo). A energia do disco e o tom para cima seguem com “Iris“, feita para a mãe de Bono, que ficou órfão dela aos 14, e “Volcano” (esta última já entrou na minha playlist de corrida, hein). “Raised by Wolves” tem uma das minhas letras preferidas do CD e talvez a faixa onde mais gosto da voz de Bono. Nela o U2 garante a cota de música política do álbum, tratando de uma história real que Bono presenciou em sua vizinhança na conflituosa Dublin: um carro bomba havia explodido perto de sua casa – e marcado para sempre sua história.

Cedarwood Road” tem aquele clima de música de estrada e talvez seja aquela com que menos criei laços afetivos, mas ainda assim uma boa música (U2, né galera?). Já a próxima é minha preferida: “Sleep like a Baby tonight“. Letra, cordas, poesia e melodia que me encantaram e o falsete da voz de Bono como se entoasse uma canção de ninar para alguém amado. Seria o Bono criança recebendo este mimo do pai? Talvez. (Momento ooooowwnwnn)

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This is where you can reach me now” é uma homenagem ao Clash. Me faz lembrar o U2 das antigas e gosto bastante – embora não seja das preferidas. O disco encerra com “The Troubles“, com a letra cheia de verdades e Bono encerrando seu sermão deste disco. É a cantora Lykke Li que canta o refrão de uma das mais fortes letras do disco: “You think it’s easier / To put your finger on the trouble / When the trouble is you”.

E a gente fica feliz e com vontade de dar replay (e replay e replay e replay e replay…)

U2, obrigada! :)

(PS: review escrito por fã é uma droga, né? Hahahaha)

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10 razões para ~AMAR~ Tartarugas Ninja (2014)

Muita gente falando que Tartarugas Ninja (EUA/2014) é um filme ruim, digno de cerca de todas as estatuetas do Framboesa de Ouro (CHUPA, ADAM SANDLER!) e tudo mais. Só que na verdade, não tem como não amar este filme. De verdade. Assista e confirme comigo depois: você vai demorar a dormir pensando nele… vai ser o assunto principal de suas rodas de amigos durante dias… Neste post exclusivo, explico porque é um filme digno de todo o seu amor <3. Então, com vocês,

10 RAZÕES PARA AMAR TARTARUGAS NINJAS

1) A repórter que dá a vida por um furo
Família, vida, amigos, sonhos, projetos, nada importa para a nossa April O’Neil (Megan Fox). Nossa protagonista (?) topa tudo para ser um sucesso jornalístico – de ser demitida do jornal onde trabalha até correr risco de morte.

2) Roteiro com coincidências absurdas
Quer você chame de destino ou predestinação, a explicação ~principal~ (se é que há algo principal nesse filme) se encaixa de uma maneira absurda, inacreditável, impossível, inimaginável e incoerente. Não bastasse isso, o filme força nas cenas de explicação com flashback, ignorando qualquer possibilidade de vida inteligente no público.

O mais inacreditável futebol clube deste ponto é que não foi um roteirista para o filme. Não foram dois. FORAM TRÊS GÊNIOS os irresponsáveis por este absurdo cinematográfico.

3) Um filme com a Delores Van Cartier
No matter quantos filmes a Whoopy Goldberg faça, para mim ela será sempre a freira do Mudança de Hábito (1992/1993). Até gosto da atriz e gostei muito da forma como a usaram neste filme: duas aparições em um papel altamente dispensável. Isso é que é filme rico do orçamento folgado. E olha, foi tão difícil achar uma foto dela neste filme que tive que pegar de outro:

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4) Vilão bosta
Ao menos no filme, o vilão é um bundão. Não dá medo, não tem propósito, não é assustador, fica fazendo cosplay de Homem de Ferro com a armadura indestrutível, mas é menos apavorante que o Malvado. Uma escolha de respeito ao público de crianças.

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5) Diálogos e lições de moral batidaços
Para que inovar em tiradinhas legais e diálogos empolgantes se o roteirista pode apostar em todas as fórmulas prontas e manjadas de perguntas e respostas do cinema? Mercado de entretenimento é um risco. O trio parada dura de roteiristas achou melhor não arriscar.

6) Filme sem ritmo empolgante
Em respeito aos cardíacos, diretor + roteiristas optam por fazer um filme de ação e super heróis sem fortes emoções no roteiro, sem clímax, sem plot point, sem graça.

7) Personagens chatos e não convincentes

A construção dos personagens foi algo tipo assim:

Roteirista 1: Cara, o filme deu o maior trabalhão, to cansadaço
Roteirista 2: Ainda falta a construção dos personagens cara
Roteirista 3: Affsss
Todos juntos: Já sei, vamo botar pro estagiário novato ali fazer

Resultado disso é um monte de gente aleatória, sem muitas razões de estar ali e com personalidade e motivações que a gente não entende nada. Para que se aprofundar tanto, né? Bota a turma descendo esgoto e neve abaixo com umas piadas de terceira série que fica tudo certo.

8) Clã do Pé WTF
O filme começa com um lance de uma trupe de mercenários que parece ser o inimigo mor da trama e a razão principal de todos os fights. Até aí tuuuuuudo bem, até que esse povo some e fica por isso mesmo.

Moça, seu nome é engraçado rsrsrsssss

9) Roteiro Queijo Suíço
Saí do cinema convencida de que não tem como não amar os roteiristas desse filme. Os caras ganharam uma grana hollywoodiana para trollar todo mundo com o roteiro mais bosta de 2014: nada faz sentido, nada se explica e tem mais furos que um queijo suíço. Uma delícia. Mas sem problema, o que vale é o Michael Bay colocando explosões e cenas de ação sem fundamento que vende ingresso.

10) Final Esquecível
Nessa geração de informações que vão e vem rapidamente, nada mais apropriado do que um final tão esquecível quanto aquela sua senha de espera do prato no restaurante de ontem. Parabéns… só que não.

De 0 a 10 Megan Fox chateadas com sua personagem que nem gostosona conseguiu ser, a nota do Fernandices para esta pérola cinematográfica de 2014 é:

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A Culpa é das Estrelas – 2014

Fui assistir “A Culpa é das Estrelas” sem grandes expectativas, esperando apenas mais um filme da modinha sick-lit bobinho para adolescentes – aquele roteiro com um protagonista doente e alguma história manjada de superação que acontece enquanto se desenrola alguma improvável situação de amor. Estava certa e errada.

O filme traz sim personagens acometidos pelo traiçoeiro câncer e enlaçados por um romance quase shakespeariano. Só que, se em “Romeu e Julieta” os Montéquio e os Capuleto eram o empecilho à felicidade do casal, no filme adaptado do sucesso literário de John Green os adolescentes apaixonados lutam para não serem separados por aquilo que os uniu.

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Bom… se “A Culpa é das Estrelas” faz sorrir ou faz chorar, o coração é quem sabe. Embora o texto e a sintonia inquestionável entre os protagonistas tenham sido orquestrados com o objetivo de fazer o público soluçar e chorar copiosamente, há os momentos impagáveis de alívio cômico. Josh Boone usa bem este recurso: nem deixa cair a peteca do clima de comoção e nem permite que o drama se torne algo depressivo como foi “Uma Prova de Amor” (2009), cujo enredo aborda também as dificuldades do câncer.

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No fim das contas, embora um tanto previsível em seu desfecho, o longa surpreende por não ser só mais um drama infantojuvenil com rostinhos bonitos e trilha sonora simpática. Encanta por não ser um filme sobre pessoas com câncer, mas sobre essa linha senóide que passeia entra pessimismo e resiliência que é nossa relação pessoal com o sofrimento. Emociona ao ensinar que seu infinito continua sendo infinito mesmo se for menor que outros. Okay? Okay.

E, em uma escala de zero a cinco rostinhos fofos do Gus, a nota para o filme é:

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OBS 1: Vocês também acham que esses dois lindos ficam mais lindos juntos? <3

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OBS 2: Eu terminei de ver o filme assim:

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“Ghost Stories” (2014) – Coldplay

Pés na bunda costumam render boas criações. Da poesia à música e passando pelo cinema, chorar as pitangas lava a alma e dá um banho de inspiração ao artista. É por isso que o Chris Martin aproveitou a fossa do fim do casamento com a atriz de nome impronunciável e cuja escrita terei que Googlar, GWYNETH PALTROW, para lançar “Ghost Stories” (2014), o 6º álbum de estúdio da banda.

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Depois do colorido e feliz “Mylo Xyloto” (2011), temos um disco com a capa sombria e enigmática com músicas tristonhas, instrumentais etéreos (adorei esse adjetivo, desde que li há um tempo numa crítica uso bastante) e letras AINDA MAIS melosas (sim, porque Chris fica meloso na alegria e na tristeza… é um poço de doçura o rapaz). Entrei no clima e deixei para ouvir numa tarde de domingo no escuro do meu quarto… já pronta para derramar lágrimas e me jogar da primeira ponte na primeira música… mas não! O disco é romântico ao extremo SIM piegas SIM meloso SIM depressivo SIM mas nada que desperte tendências suicidas. Que povo exagerado! Mas vamos ao que interessa: a análise e notas de cada música.

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“Saudades alegria”

1) Always In My Head

Chris já chega mostrando toda sua psicopatia pela pessoa amada: em uma canção lentinha com o refrão de uma frase só, diz que não dorme, as memórias não vão embora e que a pessoa não sai de sua cabeça. A música termina do nada, assim como foi a notícia do rompimento dele com GwynWHATEVER.

“My body moves
Goes where I will
But though I try
My heart stays still

Numa escala de 0 a 10 Gwyneths #chatiadas, a nota é:

gwy   gwy   gwy   gwy

2) Magic

Chris nos dá um susto de esperança: diz que acredita ainda na mágica do amor. A música tem um tom para cima e um refrão grudentinho. Do jeito que a multidão gosta para cantar junto no show, ê laiá! : ))

Chega que tem videoclipz:

Numa escala de 0 a 10 Gwyneths #chatiadas, a nota é:

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3) Ink

Chris, agora você me assustou. A música é maneira, tem um pique massa, e coisa e tal. Mas você me dizer que tatuou “juntos para sempre” com sua faquinha de bolso foi demais para minha sanidade. Bizonhice de lado, ele canta uma frase fofa de tumblr de adolescente: “te amo tanto que dói”. Own Martin, fikassinão! Vem aqui pra eu te dar um cafuné!

Numa escala de 0 a 10 Gwyneths #chatiadas, a nota é:

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4) True Love

Aqui Chris começa a voltar à deprê para a qual foi chamado. Implora que a mulher diga que o ama. E pede que, se não ama, minta para ele. E a gente é assim, né? Preferimos uma mentira que massageia a alma do que a verdade que esmaga nosso pâncreas. Só que saudável mesmo é a filosofia de “Close”. Chupa, Chris!

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Numa escala de 0 a 10 Gwyneths #chatiadas, a nota é:

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5) Midnight

Taí uma letra que se garantiu. Amo essa metáfora da luzinha acesa em meio à escuridão como símbolo de esperança. Me faz lembrar de “O Grande Gatsby” e a luz verde…

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Chega que tem clipe:


Numa escala de 0 a 10 Gwyneths #chatiadas, a nota é:

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6) Another’s Arms

Ok, vamos fazer o checklist dos elementos de pé na bunda encontrados até agora:

(x) minta para mim mas diga que me ama
(x) ainda tenho esperança
(x)  estou à espera de mágica/milagre
(x) psicopatia social e mental
( ) te procurei em outros braços e não te achei

Claro que faltava isso no disco! Agora não falta mais: “Another’s Arms” traz toda aquela coisa de estou fazendo algo banal como ver televisão e os braços que me envolvem não são os seus. Bonitinho, não fosse ordinário!

Numa escala de 0 a 10 Gwyneths #chatiadas, a nota é:

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7) Oceans

Amei “Oceans” por um motivo: ela não fala nada sobre oceanos na letra! Aí isso força a gente a entender a poesia e as subjetividades da letra, é uma coisa louca! Mas a letra me ganhou fácil com essa coisa de vamos nos encontrar faça chuva ou faça sol.  Babaquinha, né? Mas o amor só é bonito se for babaquinha! <3

Numa escala de 0 a 10 Gwyneths #chatiadas, a nota é:

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8) A Sky Full Of Stars

Eita, essa vai fazer a turma AHAZAR nas pistas, alguém duvida? Eu não o/ Aqui Chris já chutou o pau da barraca, esgotou a caixa de antidepressivos e resolveu sambar na Sapucaí mesmo em meio à tristeza. Um viva para ele e para esta que é a minha preferida do disco:

Numa escala de 0 a 10 Gwyneths #chatiadas, a nota é:

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9) O

A hidden track do álbum é o Chris voltando da balada e lembrando que continua longe da Gwyneth (sabia que ia aprender o nome da cidadã até o fim do post). A música é muito triste e, adivinhem!  A letra é linda, claro! Um viva ao pé na bunda que deixou o Chris poético. Linda! Fecha o disco fechando muito fechosamente!

And I always
Look up to the sky
Pray before the dawn
Cause they fly always
Sometimes they arrive
Sometimes they are gone
They fly on

Numa escala de 0 a 10 Gwyneths #chatiadas, a nota é:

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“Fé em Deus e Pé na Tábua”

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A contracapa traz o aviso prévio de que a leitura do livro pode causar desejos incontroláveis de sair rodando por aí em uma Kombi. Vou além. “Fé em Deus e Pé na Tábua”  nos leva a abrir mão de conceitos já enraizados sobre sucesso, fé, religião, amor e família. A (re)descobrir a essência da vida, enfim.

Donald Miller (Don) é um jovem texano que larga namorada, trabalho e família para viajar em uma Kombi velha para Oregon ao lado de Paul, um hippie apresentado no livro como a pessoa de coração mais bondoso que o autor narrador já conheceu.

Mais do que lugares, o livro traz um protagonista dedicado a descrever sensações e sentimentos. O autor está, muitas vezes, sob um céu estrelado pensando em Deus – sua existência, sentido e propósitos. Há diálogos incríveis entre Don e Paul que vão de música à escolha da mulher com quem vão casar. Os personagens secundários, que a cada página vão se mostrando cada vez mais essenciais à construção do pensamento e da filosofia de Don, são encantadores.

A cada quilômetro rodado na Kombi velha, Don está mais perto de Oregon e de entender o sentido da vida. E nós, leitores, nos deleitamos ao embarcar com Don e Paul nessa viagem desafiadora. Desafiadora de nós mesmos.

“Fé em Deus e Pé na Tábua”, no fim das contas, não é um livro sobre cair no mundo em uma Kombi com pouco dinheiro e passando todo tipo de provações. É sobre os porquês da vida, a essência da fé e a importância de uma tigela de cereal com leite fresco.

Fé em Deus e Pé na Tábua
Donald Miller
Thomas Nelson Brasil
R$ 28 (média)

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