“A verdade nua e crua”

Nesse feriado de fundação da minha querida João Pessoa, procurei por um filme daqueles que descem fácil como suco de morango com abacaxi – mesmo que depois fiquem as aftas…

E o eleito foi “A Verdade Nua e Crua” e, meus amigos, desde “Esposa de Mentirinha” eu não via um filme de comédia tão insanamente tenebroso. Explico nas linhas a seguir.

A história de Abby (Katherine Heigl) e o macho-alfa Mike Chadway (Gerard Butler) se encontram nos bastidores de um programa televisivo em decadência, o qual é produzido por nossa loira protagonista (que por pouco me convence no papel).  Na tentativa de salvar a audiência, Mike é contratado para fazer um quadro chamado “A Verdade Nua e Crua”. Debochado, machista e sem vergonha, Mike rapidamente eleva os índices. E Abby, conservadora e idealista do homem perfeito, precisa mantê-lo no posto mesmo que o deteste. Ok, tá tudo bem…

Ou não, quando vemos que Mike é o rei das frases feitas sobre a cabeça masculina. Seus clichês são aqueles velhos dogmas ensinados por nossa tia recalcada que nunca casou e que estão personificados naquele cara malvadão da… 5ª série. Sim. Se não existe homem imperfeito, com certeza também não existe um Mike Chadway.

Beleza… supondo que exista um Mike Chadway e supondo que ele seja engraçado (porque conto nos dedos as cenas que ele me fez rir: 4), certamente não existe uma Abby para acreditar nele tão fácil.

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Comassim o cara que ela detesta logo se torna seu fiel confidente e que a ajuda a conquistar seu vizinho gato médico? E quando eu digo “logo”, é “logo”… coisa de 2 minutos para a relação de ódio mortal se tornar uma dependência total dos conselhos amorosos de Mike (what the hell é a cena em que ela põe um ponto no ouvido para ouvir os conselhos de Mike enquanto está com o carinha?).

SURPREENDENTEMENTE, o cara perfeito que Abby está namorando nããão é exatamente aquilo que ela esperava. Claro que não! Afinal, o filme quer dizer isso ae: “é dos garanhões safados cachorros e sem vergonhas que elas gostam mais“. O pobre do médico passa, e questão de minutos, de príncipe encantado a um debilóide sem graça e almofadinha.

SURPREENDENTEMENTE (2), Abby e Mike se apaixonam. Awwwn, que meigo! Por essa eu não esperava, cara! Fiquei de cara com a revelação!

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Só que mais tensa ainda é a cena final. Sim, o grand finale não escaparia ileso à genialidade da trama. Durante a viagem que fez com Mike para resolver negócios da empresa, o namoradinho de Abby aparece onde??? ONDE??? Se você pensou: “em algum parque do Monte Himalaia“, errou! Isso seria muito óbvio. Claro que ele ia aparecer do na-da no Hotel onde Abby e Mike estão... exatamente na hora que eles iam ENFIM concretizar a paixão super lógica que surge entre eles. Ai, ai… quase tenho um enfarte do miocárdio nessa cena.

Ok, sejamos honestos: a  presença de Gerard fazendo o Mike dá um up no filme. O cara “vestiu” esse papel como uma luva feita sob encomenda. E se eu disser que não tem uma ou outra cena bacana para dar uma risada estaria mentindo. Mas, no geral, as piadas são manjadíssimas e o roteiro um fiasco apocalíptico.

Mas era feriado… e eu estava à toa, procurando um filme que descesse fácil como um suco de morango com abacaxi. E este texto, caro leitor, são minhas aftas.

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