Sombras da Noite (2012)

A Tim Burton’s film”. Esta informação é suficiente para traçarmos um panorama geral do filme antes de assisti-lo: aspecto sombrio, humor negro e história fantasiosa, como se tivesse saído da cabeça de uma criança. Ou de um adulto que nunca cresceu.

Do incrível mundo de Burton já saiu de tudo: noivas-cadáveres, esquisitões com mãos de tesoura, cavaleiros sem cabeça e peixes grandes. Só que faltava um vampiro para marcar presença; e então vem Barnabas Collins.

Tudo começa na América do século 18, quando um membro da nobre família Collins rejeita o amor de uma mulher. Ela, que na verdade era bruxa (Eva Green dá raiva de tão boa que está no papel), lançou uma maldição um tanto quanto tensa sobre a família inteira: matou os pais do cara, fez com que a amada dele se jogasse de um precipício e ainda o transformou em um vampiro. Este é Barnabas Collins, vivido por – mas é claro – Johnny Depp.

Acontece que Barnabas é aprisionado e solto somente em 1972, quase duzentos anos depois de sua maldição. Ao voltar para casa, em plena era da discoteca, drogas, sexo e rock ‘n roll, encontra os últimos parentes. Eles estão em ruínas, com o comércio arrasado e vivendo complicadas relações familiares: uma médica bêbada (Helena Bonhan-Carter, que não deixa a desejar), uma adolescente rebelde (Clhoe Moretz gatinha e mandando muito bem), um pai ausente e ladrão (Jonny Lee Miller fazendo um personagem muito meia-boca), um menino rejeitado, um mordomo esquisitão e uma matriarca sofrida (Michelle Pfeiffer)

Como bom diretor que é, Tim cuida de deixar o visual do filme impecável. Os cenários, fotografia e atuações estão acima da média. A música ajuda a compor o clima setentista e tem direito a até Alice Cooper (ele mesmo!) com uma participação no longa. Esse jeitinho com que Burton encaixa cores bonitas em seus visuais sombris e macabros me encanta demais! Ele soube aproveitar muito bem o contexto psicodélico dos anos 70 neste sentido. É só ver as fotinhas deste post.

Talvez o grande problema de Sombras da Noite seja seu roteiro indeciso, que ora propõe um drama, ora traz cenas pseudo-assustadoras e outras vezes procura enveredar pela comédia. Os momentos espirituosos, diga-se de passagem, são aqueles típicos de Tim Burton: os mais desatentos dificilmente vão perceber.

Além do gênero indeciso, há momentos que são dispensáveis e só ajudam a bagunçar a história, como a relação sexual entre Barnabas e Angelique. OK, toda aquela selvageria é um dos momentos que arranca o riso da plateia, mas é uma encheção de linguiça que não acrescenta em nada. Outra coisa que a gente não engole fácil é a transformação da Dra Julia Hoffman em vampira (e isso inclui aquele finalzinho trash altamente previsível) e da menina Carolyn em… lobisomem. Oi? Pelo amor de Deus! Vou parar por aqui.

Ainda assim, os bons nomes do elenco e a direção de Burton garantem que o filme seja, no geral, divertido e que a história empolgue até o final. Afinal, em tempos de Crepúsculo, qualquer história de vampiros que siga uma certa lógica é algum lucro…

– — –

OBS: Só para registrar, um filme regular/fraco do Tim Burton ainda é melhor que muita coisa “boa” que anda sendo feita por aí. E um filme com Johnny Depp muito mais.

Mais ibagens?

 

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2 Comments

  1. Fernanda, antes de fazer uma crítica, procure saber um pouco mais sobre a obra em questão.

    Tim Burton não criou essa história, ele adaptou um antigo seriado americano estilo novela brasileira (diário e vespertino) que é da época dos anos 70. Portanto, a história não possui furos pra quem viveu essa cultura americana, e é um filme voltado para adultos, que eram crianças nessa época de 70.

    Enfim, é só uma dica.
    Atenciosamente, Thiago S.

    1. Caro Thiago, entendo seu posicionamento e concordo que faltou eu mencionar no texto que trata-se de um roteiro adaptado. Mas, ainda assim, não é incorreto dizer que saiu da cabeça dele, visto que a história foi contada do jeito dele (desse jeitinho que só Burton sabe fazer), e isso inclui mudanças em roteiro, caracterização, cenários, e uma série de etecéteras.

      Acontece que o filme não é restrito para um público tão segmentado assim: “americanos que foram crianças nos anos 70 e viram o seriado”. Se ele está em cartaz no mundo todo, deve apresentar uma história coerente para qualquer pessoa de qualquer idade de qualquer lugar do mundo. O mesmo acontece com filmes de super heróis: eles são sucesso puro quando conseguem, ao mesmo tempo, atrair os fãs dos quadrinhos que conhecem a história de cor e as pessoas como eu, que nunca folheram a revista mas gostam dos filmes.

      Obrigada por sua participação!
      Volte sempre =)

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