Sobre o meu apego às bandas favoritas

Tenho muito apego às bandas que gosto. Muito mesmo, de dar até ciúme quando vejo uma pessoa que diz, levianamente, que também é um fã dessa banda. Principalmente se o “fã” só conhece seus dois ou três maiores sucessos. Mas enfim, eu tenho muito isso de me apegar às bandas que gosto. Noutro dia eu estava conversando com Ricardo sobre esse negócio. Isso porque sempre que entro no carro dele, percebo que está tocando uma música diferente. O cara manja das novidades, está sempre atento ao que está pintando de novo por aí. A propósito você pode até acompanhar essas descobertas no blog do rapaz. Mas como eu dizia, no carro dele sempre está tocando algo diferente. Eu não tenho carro ainda, mas já posso imaginar um pendrive com umas 100 músicas, no máximo, que escuto sempre.  Das mesmas bandas. Pode até rolar alguma novidade vez por outra, que eu descobri por acaso. Ou porque me fizeram descobrir. E tem descobertas que são boas demais. Nesse ano, André Cananéa me mostrou Fitz and The Tantrums, sem dúvida um dos melhores discos que já ouvi. André Felipe me apresentou a Brooke Fraser, com uma pegada indie que eu nem sabia que gostava. Ricardo me apresentou outras tantas. Mas voltando ao assunto, lembro que na conversa eu falei, em tom de tristeza:

“Ricardo, acho que vou morrer sem ouvir todas as músicas de Chico Buarque. São tantas…”

A resposta veio rápida, rasteira e com um sorriso.

“E você precisa ouvir?”

Na hora balbuciei alguma resposta que nem lembro. E fiquei pensando sobre isso depois.

Não é que eu não gosto de novidade. Ao contrário, sou uma curiosa que sempre chega na redação do Vida e Arte perguntando “Que disco é esse? Posso ouvir?” Aí eu ouço ele inteiro, umas duas ou três vezes se gostar. Acho bacana, compartilho nas redes sociais. Depois disso, volto a ouvir as músicas mais manjadas de Beatles e Cia, U2, Chico, Coldplay, Red Hot, Cazuza, e por aí vai.

Costumo criar uma relação de muito amor com as bandas que gosto. Tem gente que morre na superficialidade de ouvir uma música apenas três vezes na vida, na ânsia de novas descobertas. Ou por que sua banda favorita não lança discos desde 2009. Veja bem, 2009.

Você enjoa dos seus pais? Trabalho? Não… ou, ao menos, espero que não. Então porque vai cansar de ouvir aquilo que fala tanto contigo? Que mexe tanto com seus sentimentos e visão de mundo? Por que isso de estar sempre à caça da sua “banda do momento”?

Eu não tenho a banda do momento. Tenho bandas que tem músicas para cada momento meu. Não tenho esse desejo desenfreado de ouvir tudo que é lançado nas gravadoras independentes da República Dominicana…

Sabe aquelas bandas que ninguém conhece? Pois é. Eu também não conheço.

Ainda assim, garanto: há espaço neste coraçãozinho para novas bandas preferidas. Basta elas fazerem por onde. É que… tenho muito apego às bandas que gosto.

***

UPDATE
O Serjones, da Veja, escreveu uma matéria bem bacana sobre essa “síndrome” e usa até o U2 como exemplo. Vale demaaaaaaais a leitura!

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3 Comments

  1. Eu viajo, viajo e viajo. Mas também volto às minhas origens, SEMPRE. E eu sou meio louco pois fico ouvindo umas músicas em loops infinitos. Quem casar comigo vai ter que suportar isso! =P

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