Sobre a euforia passageira com o novo ano

146H

Às vezes tenho a impressão que novo ano é tipo livro que a gente deixa de ler na metade.

Todo mundo começa meio eufórico, fazendo juras de amor ao ano e com promessas na ponta da língua – e do lápis. As festas de fim de ano dão esse clima de confraternização, abraços, há braços e amigos-para-sempre-é-o-que-nós-queremos-ser-na-primavera-ou-em-qualquer-das-estações. É uma mistura doida de balanço e planejamento que deixa todo mundo cheio de esperança. Aí, senhores e senhoras, vem janeiro.

Janeiro é festa. Ô, que mês bom é janeiro, benzatedeus. Verão, praia, férias, cidades cheias de turistas, sol nascendo cedo e todo climão mega bom que graças a Deus dura muito (ou só eu tenho a impressão que Janeiro dura uns 3 meses?). Fica todo mundo felizão e já começa a tentar alcançar as metas propostas – menos a de emagrecer porque heh, dieta nas férias nin-guém-me-re-ce.

Daí que vai passando Carnaval, aí o ano brasileiro começa meearmo, as águas de março fecham o verão, vem uns perrengues aqui e ali e em 1º de Abril essa coisa de ano novo parece mentira. A gente perde o gás e deixamos pra lá as juras de amor. Esquecemos a empolgação no mesmo lugar onde ficaram os sonhos e projetos pro bendito novo ano que nem chegou à metade e já tá velho.

Quando chega outubro, então, pobre do ano: só o que se vê é gente já torcendo pela chegada do próximo. Não damos chance aos últimos meses, como se o roteiro não pudesse ter algum ponto de virada bacana. Como se aos 45 do segundo tempo não tivesse mais gol.

É essa mania que a gente tem de desanimar. De não concluir. De largar na metade. Como se ano fosse mais empreender do que administrar: a gente se joga com um monte de projetos e alegria e aí vem Nossa Senhora do Tempo Passando e não administramos o ano que nos foi dado novinho em folha, com folhas em branco – clichê, mas verdade.

Por mais anos vividos intensamente do começo ao fim. Por um ano amado, mesmo que aos trancos e barrancos, até a hora da virada. Por brindes de Réveillon não com ar de “ah vai-te embora ano velho”, mas de “foi bonito, foi”. Que em meados deste agosto a gente ainda tenha o gosto de dizer: “vem com tudo, 2015″.

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