Por que Jogos Vorazes me surpreendeu

Estava eu procurando por um livro de cibercultura na Leitura (momento merchan) quando vi adolescentes extasiados, falando alto, brincando de mímica e sorteando brindes entre si.

– Que é isso? – perguntei ao vendedor.
– Reunião de fãs dos Jogos Vorazes. É por causa do lançamento do filme.

Fui tirar minhas próprias conclusões no cinema, e olha… me surpreendi.


O problema é que muita gente vai assistir a Jogos Vorazes com os mesmos olhos críticos que assistem a um Kubrick ou Scorsese. Esquecem que o público daquela obra é infanto-juvenil e questionam a superficialidade, a falta de violência explícita, blá blá blá.

Pois eu achei que Jogos Vorazes cumpriu seu papel e foi além.

O livro que virou filme trata da sociedade norte-americana do futuro, na qual os estados se tornariam “distritos”, todos subordinados à capital,  como forma de vingança por uma rebelião que haviam provocado. Os habitantes dos 12 distritos viviam presos,  precariamente e parados no tempo: más condições de habitação, tinham que caçar para comer, e sofriam humilhações de todos os tipos.


Não bastasse isso, todo ano tinham que mandar dois “tributos” para competir nos Jogos Vorazes, uma espécie de reality show no qual eles tem que matar uns aos outros – e, naturalmente, sobraria um vencedor.

O filme aborda temas relevantes como sociedade do espetáculo (à medida que a Capital se delicia assistindo os jovens se matando), perspectivas sobre o futuro do digital (já que o reality é quase todo “programado” e virtual) e a fragilidade das relações humanas. Traz – e isso é natural – um romance mal resolvido para ser desenrolado até o fim da trilogia. Em resumo: tem uma complexidade emocional e social de deixar vampiros e bruxos com inveja. E digo isso como grande fã dos filmes do Harry Potter.

A protagonista, Katniss (a ótima Jennifer Lawrence), consegue cativar mesmo com seu jeitão sério, frívolo e tímido. Os habitantes da capital, travestidos em um excêntrica moda futurista bem colorida e andrógina, estão bem bons e com potencial para serem desenvolvidos nos próximos longas. Os figurinos e maquiagem estão ótimos! Adoro essa coisa exótica!

Jogos Vorazes surge como boa alternativa para a geração Crepúsculo. E não restam dúvidas de que está a anos-luz de distância de seu concorrente.

Agora, por favor, vejam o filme como deve ser visto!

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