Para Roma, Com Amor.

Ao que parece, esta foi a última parada de Woody Allen em terras europeias. Depois de ter passado por Espanha (“Vicky Cristina Barcelona”), Londres (“Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” e outros) e França (“Meia Noite em Paris”), o próximo país a ter sua cultura cuidadosamente destrinchada na tela foi a Itália.

Em “Para Roma, com Amor”, o longa faz jus ao nome: o filme é uma carta apaixonada à cidade, com direito à exaltação de sua cultura através de relacionamentos complicados (bem típico das comédias românticas de Woody Allen) e situações inesperadas.

Os momentos inicais são dedicados à contemplação da cidade, acompanhada por uma trilha sonora sugestiva. Volare foi a escolhida para a abertura e o encerramento do filme, e as demais são igualmente bacanas e traduzem a atmosfera italiana com muita ópera e músicas cheias de vida. Ainda assim, saí com a impressão de que a cidade poderia ter sido mais explorada nas cenas.

A trama é um misturão de quatro núcleos distintos cujos personagens e histórias nunca se cruzam. Cada um deles é na verdade um curta-metragem com personagens incríveis e histórias encantadoras. Claro: não faltam massas, italianos temperamentais, ruínas romanas e um detalhe bacana: Woody Allen em cena depois de 6 anos sem dar as caras na telona! São poucos artistas – no sentido mais forte da expressão – que conseguem escrever o filme, dirigi-lo a atuar em um papel importante. Selton Mello tem dado seus primeiros passinhos nessa loucura. Tarantino escreve e dirige, mas sua atuação ainda é discreta.

Um dos núcleos traz uma turista perdida que pede informações a um transeunte qualquer. Os dois começam a namorar e planejam casar. Os pais da moça viajam a Roma para conhecer o futuro genro e a tragédia está formada. O jovem é um comunista, filho do dono de uma funerária (que canta divinamente no chuveiro) e de uma italiana mal-humorada que não fala uma só palavra em Inglês. Já a moça é filha de um produtor de espetáculos eruditos aposentado (o Woody Allen <3) e de uma mãe irônica e realista. O desentendimento das famílias, a participação fantástica de Woody e a teoria do chuveiro fazem com que as cenas sejam muito boas de acompanhar.

Um outro, e talvez o mais interessante, mostra um arquiteto famoso que por acaso encontra-se com um jovem estudante de arquitetura. Praticamente sem explicações, ele se envolve na vida do jovem Jack (Jesse Eisenberg) de uma maneira surreal – resgatando um pouco da fantasia que vimos em ‘Meia-Noite em Paris’. Ele acaba virando (e você nem percebe o momento dessa transição) uma espécie de “consciência” do cara, sempre tentando fazer com que ele não caia na roubada de largar a namorada por causa da melhor amiga dela. Outra interpretação é que o jovem é, na verdade, um reencontro que ele tem consigo mesmo, quando morou naquela mesma rua em Roma. Fantástico!

A terceira história é a de Leopoldo, um cara que leva uma vida absurdamente normal e monótona e, DO NADA, se transforma na pessoa mais famosa de todos os tempos. Esse núcleo faz ácidas críticas àqueles que se tornam celebridades a troco de nada e à imprensa dos paparazzi, que noticiam qualquer bobagem que venha das celebridades.

Woody Allen dirigindo o cara. :D

Por fim, temos um casal de recém-casados muito felizes que acabam sendo vítimas de um destino que só existe na cabeça de Woody Allen: ele acaba sendo esposo de mentirinha – por um dia – de uma prostituta bonita e experiente (a maravilhosa Penélope Cruz, que está excelente no filme) e ela acaba sendo seduzida por um famoso ator da região.

Se o filme é bom ou ruim, depende de como você vai vê-lo. Vá assistir ao filme esperando uma comédia de Woody Allen, e não uma comédia qualquer. Acredite: isto é fundamental e tem fortes chances de fazer você sair do cinema com um “WTF?” ou “Wow, que massa!”. O humor dos filmes dele é diferente, o teor das piadas é irônico e crítico, e isto não agrada a todos.

Olha a cara de quem vê que tá dando tudo certo =D

Apesar de as atuações serem muito boas e de a premissa do roteiro ser woodyallenisticamente interessante, o longa não consegue ser intenso como foi o “Vicky Cristina Barcelona” ou memorável como “Meia-Noite em Paris”. Isto porque o diretor não teve tempo, obviamente, de destrinchar tantos personagens e enredos inusitados em menos de duas horas de filme. Pensando por esse mesmo lado, é admirável como ficamos envolvidos cada um deles.

Woody e Penelope Cruz no lançamento do filme

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