Sobre micro paixões fulminantes

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Há quem ache que estar apaixonado é bom – e eu sou dessas pessoas ridículas que defendem essa teoria com fórmula matemática e tudo. Gosto de sentir o coração explodindo a cada batida, de andar na rua cantando Caetano e sentir o brilho dos meus olhos iluminando a noite e revelando o que eu não quero. Mesmo que não dê em nada. Afinal, se é para sofrer, que seja de amor e desamores.

Estar apaixonado em começo de relacionamento; apaixonar-se todos os dias pela mesma pessoa… tudo isso é muito bom. A mínima certeza de algo nos deixa bem. Agora, as micro paixões fulminantes mexem com a gente. Bagunçam minutos do nosso dia. Às vezes segundos. Não há nelas garantias e finalmente percebemos como é difícil adestrar o bicho coração.

Certa vez eu estava em Recife em uma daquelas peregrinações feitas por centenas de paraibanos quando precisam comer a famigerada costelinha do Outback. Foi enquanto subíamos a escada rolante quando o vi. Na escada ao lado. Descendo. Em direção contrária. Nos olhamos. Abaixei a fronte provavelmente ruborizada. Olhei novamente: persistente, ele continuava me observando. Quase tropeço no “ponto final” da escada. Virei o pescoço. Ele sorriu e saiu do shopping, usando um terno imponente e seguindo seu destino com um adeus silencioso que eu quase pude ouvir.

Outro dia estava a trabalho no Rio de Janeiro e fui correr na calçada de Copacabana, campeã das estampas de cangas de praia, chinelos e cartões postais. Ele vinha com mais dois amigos, correndo em minha direção como em cena de filme. Hum, era saudável… Acho que tinha uma tattoo tribal no ombro (algo que eu poderia relevar por amor). Nos olhamos, nos cruzamos e ambos olharam para trás duas ou três vezes. Talvez quatro. Até que o perdi para sempre.

Tive outra paixão arrebatadora pelo rapaz de óculos hipster com headphones. Tinha barba e pinta de nerd. Ostentava no colo um exemplar de “O Remorso de Baltazar Serapião”, livro que até hoje tenho vontade de ler por causa dele. Este caso foi platônico: o rapaz nem “tchum” para mim. Nem uma olhadinha sequer. Frustração, depressão. Os 5 estágios de um término vividos em 3 minutos. Desci do ônibus. Passou.

Fora eles, houve outros. Na fila do banco, debaixo do mesmo quiosque de praia esperando a chuva passar. Ligação por engano. Diante de uma prateleira de supermercado analisando o mesmo produto. Só que, nesses casos, a paixão é silenciosa. Uma palavra sequer não pode ser trocada.

O bom nesses casos é aflorar seu lado freudiano e interpretar gestos, roupas e sorrisos. Será que ele passa madrugadas jogando videogame? Torce para o Flamengo? Talvez seja do tipo que pega doce na mesa do bolo em festa de criança. Será que, como eu, se preocupa com o melhor filtro para o Instagram ou acha isso uma bobagem? Será que vota no PT? Ah, não. Isso eu não perdoaria.

Talvez essas paixões avassaladores de 5 segundos nos preparem para para sofrer dignamente por paixões de verdade. Que valem o sofrimento. Se não faz sofrer (nem que seja de saudade apertando no peito ou de ciúme besta) não é paixão das boas. Daquelas que viram amor. Amor de 5 meses, 5 anos, de toda uma vida. Apaixone-se.

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De fã para fã: “Songs of Innocence” (2014) – U2

“Songs of Innocence”, novo disco do U2, é tão bom que se eu tivesse 15 segundos com Bono eu não pediria uma selfie ou um autógrafo; ia dizer o quanto eu gostei do trabalho. As músicas e letras justificam a longa espera pelo CD: desde “No Line On The Horizon” foram 5 anos de pausa – embora nossos corações tenham sido confortados com “Invisible” e “Ordinary Love”.

Lançado durante o evento de lançamento do iPhone 6, ficou disponível for free para Apple users: ao abrir o iTunes e procurar pelo disco, já encontrei o mesmo como se já tivesse sido baixado. Tudo que eu tive que fazer foi sincronizar com o iPhone e tchan: tava lá na minha pasta de músicas o álbum. Marketeiros do U2, parabéns!

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Como o título sugere, o disco evoca o passado de “inocência” da banda, falando de influências musicais e pessoas e amores que fizeram parte de suas vidas. Em carta aberta aos fãs, Bono prometeu para breve um novo trabalho chamado “Songs of Experience”. Isso provavelmente faz alusão a Songs of Innocence and Experience, obra mais notável do pintor e poeta inglês William Blake e que você lê na íntegra aqui.

Se mulher não envelhece, mas fica loira; banda não fica velha, fica nostálgica.

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A primeira das 11 músicas é uma homenagem aos Ramones, banda os integrantes do U2 ouviam em sua juventude. “The Miracle” vem cheia de energia como a música do disco (inclusive foi a faixa interpretada no lançamento do iPhone) e nela The Edge se esforça para dar um tom mais punk à canção, que fala do milagre que aconteceu quando Bono ouviu Joey Ramone (foto abaixo) pela primeira vez. A próxima é a simpática “Every Break Wave“, baladinha que tem a cara que os fãs da banda já conhecem bem e é daquelas músicas que tem tudo para entrar em listinhas do tipo ~acordando numa boa~.

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Em seguida sinos e vocais chamando incessantemente por Santa Barbara anunciam “California“, que muito me agrada e tem um refrão que vai ficar mais bonito quando for cantado pela multidão dos estádios. <3

Song for Someone” surge arrebatadora, uma das mais intimistas e emocionantes. Foi escrita para Ali, o amor da vida de Bono, mas eu vejo muito de Deus nela (coisa de cristão mesmo). A energia do disco e o tom para cima seguem com “Iris“, feita para a mãe de Bono, que ficou órfão dela aos 14, e “Volcano” (esta última já entrou na minha playlist de corrida, hein). “Raised by Wolves” tem uma das minhas letras preferidas do CD e talvez a faixa onde mais gosto da voz de Bono. Nela o U2 garante a cota de música política do álbum, tratando de uma história real que Bono presenciou em sua vizinhança na conflituosa Dublin: um carro bomba havia explodido perto de sua casa – e marcado para sempre sua história.

Cedarwood Road” tem aquele clima de música de estrada e talvez seja aquela com que menos criei laços afetivos, mas ainda assim uma boa música (U2, né galera?). Já a próxima é minha preferida: “Sleep like a Baby tonight“. Letra, cordas, poesia e melodia que me encantaram e o falsete da voz de Bono como se entoasse uma canção de ninar para alguém amado. Seria o Bono criança recebendo este mimo do pai? Talvez. (Momento ooooowwnwnn)

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This is where you can reach me now” é uma homenagem ao Clash. Me faz lembrar o U2 das antigas e gosto bastante – embora não seja das preferidas. O disco encerra com “The Troubles“, com a letra cheia de verdades e Bono encerrando seu sermão deste disco. É a cantora Lykke Li que canta o refrão de uma das mais fortes letras do disco: “You think it’s easier / To put your finger on the trouble / When the trouble is you”.

E a gente fica feliz e com vontade de dar replay (e replay e replay e replay e replay…)

U2, obrigada! :)

(PS: review escrito por fã é uma droga, né? Hahahaha)

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15 coisas sobre Salvador que os blogs não dizem

No voo de volta para João Pessoa, que dura apenas 1h15, escrevi 15 fatos sobre aspectos diversos de Salvador (Bahia) após passar 3 dias na cidade. Muitas dessas coisas eu gostaria de ter lido antes em blogs e sites que falam sobre viagens – mas tive que descobrir com nativos, taxistas bróders e pela própria experiência no lugar. Confira:

1) Pombos.
Salvador é o recanto dessas criaturas que resultaram do cruzamento de galinhas e urubus com alguma mutação gênica alienígena que as fizeram ter olhos vermelhos. SOCORRO, porque eu tenho PA-VOR dessas aves cretinas.

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2) Periguete.
Indo na contramão de todo o País, na capital baiana periguete quer dizer “cerveja pequena”. Então ao ler as placas no Pelourinho, não estranhe!

3) Mercado Modelo.
Na boa: não tem nada de mais. É um lugar onde vende artesanato e todas aquelas coisas parecidas que se diferenciam pelo nome da cidade que foi bordado. E tem muitos pombos, broder. Claro, pode ser uma boa passar por lá SE você curte artesanato e SE foi visitar o Pelourinho… porque aí fica bem pertinho e rola dar uma passada.

4) Homem bizarro vestido de lixo.
É fácil encontrar no Pelourinho uma figura excêntrica que se veste de uma “armadura” feita de materiais diversos (mais conhecido como lixo) e assim vive há 38 anos. Não há registros de quem tenha visto o rosto do cidadão. Quando estive lá estava rolando uma matéria da Band sobre o rapaz e eu e meus amigos foram entrevistados, haha:

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5) Fitinhas do Bonfim “de graça”.
Vendedores tentam empurrar “de graça” fitinhas do Bonfim (as coloridinhas) em você. Alguns dizem que servem para identificar quem é turista (daí imagine todo o resto). Outros dizem que é pretexto para empurrar os produtos e vender na marra. Bom, seja para não comprar por impulso ou evitar ser seqüestrado por vendedores de rins congelados, não aceite.

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6) Bares não tocam só axé.
Achei que toda a galera de lá vivia em uma eterna micareta, mas não é assim. Tem forró, música eletrônica e todo o resto na night baiana.

7) Daniela Mercury.
Muitos baianos ODEIAM a cantora. Motivos: a acham arrogante e prepotente. Por outro lado, são fãs de Carlinhos Brown pelo trabalho artístico e pela ajuda comunitária que presta à cidade.

8) Praia do Flamengo.
Todos os blogs por aí recomendam a Praia do Flamengo. Digo a vocês: fica longe para caramba e não é nem de longe uma praia sensacional. Vá se tiver com muito tempo sobrando.

9) Pôr do sol na Praia da Barra.
É um passeio que vale muito a pena. Chegue umas 16h, dê voltinha na praia, tome um banho de mar revigorante vendo o sol se pôr, faça um lanche nas lanchonetes próximas, e veja muita gente e muito turista passeando por lá. Ambiente massa mesmo! Ó que foto linda consegui tirar:

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10) Perigoso? Nem tanto.
Me alertaram muito sobre o perigo da cidade (lá tem muitas favelas, aproximadamente uma para cada bairro), mas não tive problemas. Tirava foto dos lugares com câmeras e celular e foi tranquilo. Vi muita polícia na cidade e graças a Deus tudo correu bem. Claro que, como em todo lugar, não pode dar vacilo…

11) Vento.
Não sei por que raios geográficos o vento é muito forte em Salvador – de dia e de noite. Isso faz com que as ondas sejam bem agitadas e o mar bem forte em muitas praias. As fotos saem assim, bem L’Oreal Paris! hahaha. Mulheres
(porque sentimos mais frio), é legal levar casacos levinhos :)

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12) Transporte público.

Achei muito fácil e tranquilo andar de busão em Salvador. As linhas param nos locais turísticos (ou bem próximos a eles). Sem falar que andando de ônibus você conhece locais “menos turísticos” da cidade e acaba fazendo boas descobertas. E também você adquire uma certa noção de localização e espaço (talvez por precisar estar mais atento do que se estivesse dentro de um táxi). Mas fique atento: às vezes compensa mais pegar um táxi, que nem é tão caro por lá.

13) Rio Vermelho alternativo.
Só tive a chance de conhecer a noite do bairro Rio Vermelho e lá tem muita opção de bar e balada com uma vibe bem alternativa. Soube de opções diferentes e com outro perfil (talvez mais elitizado) na Praia da Barra e por trás do Barra Shopping, mas não fui conhecer). No Rio Vermelho tem o acarajé mais famoso da cidade, o Acarajé da Dinha. Um taxista legal nos contou (só depois, aff) que este só tem preço alto e fama, mas não é o mais gostoso da Bahia nem de longe. Preço: R$ 7,50 (com camarão e no prato)

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14) Corredores de rua.
Muita gente corre e corre na rua, no meio dos carros, etc. Como corredora, senti falta de mais espaço bom na orla para correr como temos em João Pessoa e como vi em outras cidades do nordeste (Maceió e Natal, por exemplo).

15) Elevador Lacerda
Ouvia falar tanto desse danado e olha: foi uma decepção. É um elevador normal (tipo o do seu prédio, sem vista panorâmica nem nada) e a famosa subida dura 30 segundos. Ele é literalmente um meio de transporte do Pelourinho pro Mercado Modelo e vice versa. Mas não se reprima: o ingresso custa o valor simbólico de 15 cents. Então vá, mas não espere uma atração turística, não.

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10 razões para ~AMAR~ Tartarugas Ninja (2014)

Muita gente falando que Tartarugas Ninja (EUA/2014) é um filme ruim, digno de cerca de todas as estatuetas do Framboesa de Ouro (CHUPA, ADAM SANDLER!) e tudo mais. Só que na verdade, não tem como não amar este filme. De verdade. Assista e confirme comigo depois: você vai demorar a dormir pensando nele… vai ser o assunto principal de suas rodas de amigos durante dias… Neste post exclusivo, explico porque é um filme digno de todo o seu amor <3. Então, com vocês,

10 RAZÕES PARA AMAR TARTARUGAS NINJAS

1) A repórter que dá a vida por um furo
Família, vida, amigos, sonhos, projetos, nada importa para a nossa April O’Neil (Megan Fox). Nossa protagonista (?) topa tudo para ser um sucesso jornalístico – de ser demitida do jornal onde trabalha até correr risco de morte.

2) Roteiro com coincidências absurdas
Quer você chame de destino ou predestinação, a explicação ~principal~ (se é que há algo principal nesse filme) se encaixa de uma maneira absurda, inacreditável, impossível, inimaginável e incoerente. Não bastasse isso, o filme força nas cenas de explicação com flashback, ignorando qualquer possibilidade de vida inteligente no público.

O mais inacreditável futebol clube deste ponto é que não foi um roteirista para o filme. Não foram dois. FORAM TRÊS GÊNIOS os irresponsáveis por este absurdo cinematográfico.

3) Um filme com a Delores Van Cartier
No matter quantos filmes a Whoopy Goldberg faça, para mim ela será sempre a freira do Mudança de Hábito (1992/1993). Até gosto da atriz e gostei muito da forma como a usaram neste filme: duas aparições em um papel altamente dispensável. Isso é que é filme rico do orçamento folgado. E olha, foi tão difícil achar uma foto dela neste filme que tive que pegar de outro:

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4) Vilão bosta
Ao menos no filme, o vilão é um bundão. Não dá medo, não tem propósito, não é assustador, fica fazendo cosplay de Homem de Ferro com a armadura indestrutível, mas é menos apavorante que o Malvado. Uma escolha de respeito ao público de crianças.

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5) Diálogos e lições de moral batidaços
Para que inovar em tiradinhas legais e diálogos empolgantes se o roteirista pode apostar em todas as fórmulas prontas e manjadas de perguntas e respostas do cinema? Mercado de entretenimento é um risco. O trio parada dura de roteiristas achou melhor não arriscar.

6) Filme sem ritmo empolgante
Em respeito aos cardíacos, diretor + roteiristas optam por fazer um filme de ação e super heróis sem fortes emoções no roteiro, sem clímax, sem plot point, sem graça.

7) Personagens chatos e não convincentes

A construção dos personagens foi algo tipo assim:

Roteirista 1: Cara, o filme deu o maior trabalhão, to cansadaço
Roteirista 2: Ainda falta a construção dos personagens cara
Roteirista 3: Affsss
Todos juntos: Já sei, vamo botar pro estagiário novato ali fazer

Resultado disso é um monte de gente aleatória, sem muitas razões de estar ali e com personalidade e motivações que a gente não entende nada. Para que se aprofundar tanto, né? Bota a turma descendo esgoto e neve abaixo com umas piadas de terceira série que fica tudo certo.

8) Clã do Pé WTF
O filme começa com um lance de uma trupe de mercenários que parece ser o inimigo mor da trama e a razão principal de todos os fights. Até aí tuuuuuudo bem, até que esse povo some e fica por isso mesmo.

Moça, seu nome é engraçado rsrsrsssss

9) Roteiro Queijo Suíço
Saí do cinema convencida de que não tem como não amar os roteiristas desse filme. Os caras ganharam uma grana hollywoodiana para trollar todo mundo com o roteiro mais bosta de 2014: nada faz sentido, nada se explica e tem mais furos que um queijo suíço. Uma delícia. Mas sem problema, o que vale é o Michael Bay colocando explosões e cenas de ação sem fundamento que vende ingresso.

10) Final Esquecível
Nessa geração de informações que vão e vem rapidamente, nada mais apropriado do que um final tão esquecível quanto aquela sua senha de espera do prato no restaurante de ontem. Parabéns… só que não.

De 0 a 10 Megan Fox chateadas com sua personagem que nem gostosona conseguiu ser, a nota do Fernandices para esta pérola cinematográfica de 2014 é:

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Sobre o desmame de (nossas) chupetas

Hoje acordei com minha sobrinha aos berros.

O motivo era mais um dia do processo de desmame da chupeta (ou do “bubu” para os mais íntimos): o rompimento deste segundo cordão umbilical que toda criança cedo ou tarde vivencia. Chupeta, aquele objeto que é eufemismo para um sonoro “calem a boca desta criança“. Enquanto comia meu habitual mamão com granola, observei minha sobrinha ficando vermelha e tremendo as bochechas de tanto chorar em seu segundo dia de abstinência. Comecei a me perguntar porque é difícil largar a chupeta.

Chupeta é consolo. Quero muito aquele brinquedo, “não vou dar”, “não posso agora”, choro, choro muito, me dão a chupeta e o choro copioso em poucos minutos se transforma em lágrimas silenciosas que secam antes mesmo de chegarem ao queixo. Chupeta é também fuga contra o tédio. O movimento repetitivo de sucção daquele emborrachado todo babado funciona meio como nosso zapear de canais de TV em um domingo à tarde. Tem mais: nenhuma criança passa o dia inteiro com uma chupeta na boca, ela a procura por algum motivo. Alguma carência momentânea e inexplicável que precisa ser aplacada com o fiel objeto escudeiro que já tem até seu cheiro. Já se molda à sua boca e arcada dentária como se fosse parte dela mesma.

– Você precisa largar esse “bubu”, seu dente vai ficar feio.

O choro não parou.

– É para o seu bem!

Ela não entendeu. Naquele momento, Lara só conseguia ver minha irmã como um monstro injusto, o vilão do game, o psicopata do filme de suspense americano. Um alguém sem coração que arrancava-lhe sem motivo algo de que ela gostava tanto. É uma criança, e crianças não veem muito além do que querem naquele momento.

– Lara, quanta bobagem! – disse, enfim, a tia não muito paciente na manhã de uma segunda-feira – É só uma chupeta, caramba!

Ela me olhou com os olhos negros e amendoados de forma profunda. Calou durante alguns segundos e, neste breve momento, achei que enfim tivesse entendido. Estava me achando a Supper Nanny quando o intervalo foi interrompido por um bico dengoso e, em seguida, por berros ainda mais fortes que pareciam vir da alma. Me despedi com um beijo e inevitavelmente pensei nas chupetas que eu mesma coleciono. E isso vai de pessoas até algo que eu compro sem precisar tanto.

A diferença é que, ao contrário de Lara, no fundo eu sei que elas não serão legais para os meus dentes.

Lara, boa sorte! :)

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A Culpa é das Estrelas – 2014

Fui assistir “A Culpa é das Estrelas” sem grandes expectativas, esperando apenas mais um filme da modinha sick-lit bobinho para adolescentes – aquele roteiro com um protagonista doente e alguma história manjada de superação que acontece enquanto se desenrola alguma improvável situação de amor. Estava certa e errada.

O filme traz sim personagens acometidos pelo traiçoeiro câncer e enlaçados por um romance quase shakespeariano. Só que, se em “Romeu e Julieta” os Montéquio e os Capuleto eram o empecilho à felicidade do casal, no filme adaptado do sucesso literário de John Green os adolescentes apaixonados lutam para não serem separados por aquilo que os uniu.

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Bom… se “A Culpa é das Estrelas” faz sorrir ou faz chorar, o coração é quem sabe. Embora o texto e a sintonia inquestionável entre os protagonistas tenham sido orquestrados com o objetivo de fazer o público soluçar e chorar copiosamente, há os momentos impagáveis de alívio cômico. Josh Boone usa bem este recurso: nem deixa cair a peteca do clima de comoção e nem permite que o drama se torne algo depressivo como foi “Uma Prova de Amor” (2009), cujo enredo aborda também as dificuldades do câncer.

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No fim das contas, embora um tanto previsível em seu desfecho, o longa surpreende por não ser só mais um drama infantojuvenil com rostinhos bonitos e trilha sonora simpática. Encanta por não ser um filme sobre pessoas com câncer, mas sobre essa linha senóide que passeia entra pessimismo e resiliência que é nossa relação pessoal com o sofrimento. Emociona ao ensinar que seu infinito continua sendo infinito mesmo se for menor que outros. Okay? Okay.

E, em uma escala de zero a cinco rostinhos fofos do Gus, a nota para o filme é:

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OBS 1: Vocês também acham que esses dois lindos ficam mais lindos juntos? <3

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OBS 2: Eu terminei de ver o filme assim:

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