“Os Descendentes”: a vida quase perfeita…

Você pode ser George Clooney, herdeiro de muitas terras e morar no Havaí… ainda assim, não está blindado contra as rasteiras que a vida dá. Esse é Matt King – nobre até no sobrenome -, advogado descendente de uma linhagem real daquelas bandas. Esses tatatatataravôs finos deixaram um valioso pedaço de chão para a família e é Matt o herdeiro “responsável” pelo destino do terreno.

A vida “workahólica” (sic) de Matt tem uma pausa quando Elizabeth, sua esposa, sofre um acidente e passa a sobreviver – por poucos dias – à base de aparelhos. É aí que o grisalho bonitão larga os processos para se dedicar à suas duas filhas:  Scottie, a criança problemática e Alexandra, a adolescente (que nem precisa de adjetivo para você entender o tamanho do problema).

Somente convivendo com as duas e com o sem-noção Sid, amigo colorido da Alex, é que Matt percebe que não conhece sua família. Era tão ausente que não estava percebendo o que o cercava e nem sabia como lidar com as meninas.

Os 115 minutos da história de Matt se dividem entre a negociação do terreno, sua convivência difícil com o que restou da família e sua vontade implacável de encarar o que o atormentava. O drama é interrompido sempre que Sid abre a boca.

As resoluções acontecem aos poucos, uma de cada vez. O final – e que os fãs do diretor espanhol me permitam comparar – me lembrou um pouco o Almodóvar. Do tipo: o filme foi denso demais e agora vamos terminar falando de amenidades, do tipo: “está frio, que tal um chocolate quente?”

George Clooney está perfeito – e não falo só de sua feição bem apessoada – no papel e levou indicação ao Oscar de Melhor Ator por esse filme. Outra agradável surpresa é a Shailene Woodley, que vive a filha mais velha. Ela é uma peça fundamental na história e conseguiu passar com intensidade o sofrimento real de uma garota de sua idade passando pelo problema.

Como não poderia deixar de ser, a trilha sonora é bem Honolulu! Gostosa demais de ouvir! O diretor, Alexander Payne, soube aproveitar as belezas do Hawaii para compor uma fotografia muito bonita também.

Se o filme erra em algum ponto é na desnecessária insinuação de romance entre Matt e a esposa de Brian. Insinuou, insinuou… e não deu em nada. Pelo contrário: ela sumiu do filme de uma maneira bem esquisita.

Se “Os Descendentes” não fizer você chorar em alguns momentos mais profundos e intensos, certamente vai te fazer refletir sobre o que devemos valorizar nessa curta existência na Terra. Sim, a mensagem de estar presente na vida de quem a gente ama em vez de gastar todo o tempo com o trabalho já é manjada… mas sempre esquecida por nós. Aloha, mahalo!

Foto Bônus de boa noite:


 

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