O Retrato de Dorian Gray: “Algumas coisas são mais preciosas porque não duram.”

Não é dos irmãos Coen, mas traz uma lição de moral para cristão nenhum botar defeito. É bem verdade que, aparentemente, é difícil enxergar bons ensinamentos em uma história “imoral” como “O Retrato de Dorian Gray” (Dorian Gray, 2009).

O roteiro é baseado no livro de Oscar Wilde e traz a história do jovem Dorian, que apaixona-se pela própria beleza ao ver um quadro seu, pintado pelo artista Basil Hallward. Diante da obra, ao contemplar seu rosto perfeito, deseja ter aquela beleza eternamente, nem que para isso dê em troca sua alma. E seu pedido foi ouvido.

Órfão e recém-chegado à Londres do séc. XIX, Dorian logo conhece o Lorde Henry Wotton (brilhantemente vivido por Colin Firth). Henry é o típico hedonista em uma Inglaterra aristocrata (é necessário puxar na memória o contexto histórico para entender a trama), e tenta mostrar ao jovem Gray que a melhor maneira de viver a vida é entregando-se completamente aos prazeres, como se o amanhã não existisse.

Não dá imaginar outro Lord Henry.

O filme vai ficando interessante quando Dorian percebe que o quadro passa a absorver a “imundície” e as “chagas” de sua vida promíscua e leviana. Este é o motivo pelo qual Dorian jamais envelhece; e ele esconde o segredo desta beleza em algum lugar do sótão.

A confusão começa, porém, quando a trama tenta tomar rumos mais assustadores e acaba ficando trash, a ponto de fazer rir. Os “grunhidos”, os vermes na pintura e cenas de morte sem a menor “vida” não permitem que o filme termine tão bom quanto começou. Mais um ponto para escrachar: a trilha sonora não empolga, e até passa despercebida.

Se joga, menina!

No auge de sua degradação interior, ainda que seu corpo jovem e perfeito escondesse as mazelas da alma, Dorian Gray percebe que nada do que viveu fez sentido. Salomão, provável escritor de Eclesiastes, chega à mesma conclusão no fim de sua vida.

Apesar de decepcionar nos últimos instantes, “O Retrato de Dorian Gray” é um filme intrigante, “bonito de se ver” (ou como dizem os críticos: uma bela fotografia) e… tem Colin Firth.

Apesar de Ben Barnes estar mais para um Edward em Crepúsculo do que para um Dorian Gray, o diretor Oliver Parker está de parabéns pela escolha de Colin Firth. Sim, o vencedor do Oscar 2010 com o papel do rei gago em “O Discurso do Rei” mostra sua versatilidade e talento também como um Lorde boa-pinta e extremamente contraditório.

Ben Barnes: "tu é gay ay ay..." ♪

Resumindo, assista ao filme. E nas cenas finais… ah, leva o esforço em consideração, vai.

 

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4 Comments

  1. Lí esse livro em 2006 … uma realidade humana presente em muitas pessoas que já conhecí … uma pena …

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