O porquê de eu não querer saber de política nestas eleições

Os que me conheceram pessoal ou virtualmente em 2010 devem lembrar as muitas tuitadas insuportáveis e panfletárias a favor de um candidato X e outras contra os candidatos opositores. Devem lembrar de como eu deixei de lado horas de folga para me juntar ao engajado comitê jovem, ter participado de bandeiradas, carreatas, caminhadas em bairros distantes com uma bandeira agitada na mão.

Devem lembrar das discussões na mesa da lanchonete, ponto de ônibus e redes sociais. Acho que recordam da maneira que eu defendia aquele ideal: com unhas e dentes. E pasme: a troco de absolutamente NADA. Não recebi sequer gasolina para chegar aos distantes locais de manifestação política do candidato. E quer saber? Eu nem pensava nisso.

Eu estava cansada dessa Paraíba velha, domada por um coronelismo estúpido em pleno 2012, onde sempre vencem os políticos de grandes famílias que mandam e desmandam nesse povo sofredor. A promessa era de uma outra Paraíba, representada por uma chapa que surpreendentemente unia duas vertentes da política que até então eram inimigas. Promissor. Agora sim seria diferente. Dessa vez haveria diálogo e as coisas mudariam.

Eu me identifiquei com a mensagem. Ia aos comícios e gritava por mudança. Ao meu lado, jovens engajados e comprometidos com a mesma causa. O candidato enfim foi à vitória e grande foi a comemoração na praia de João Pessoa. Fogos, trio elétrico e Fernanda Paiva com uma felicidade transbordante de quem havia alcançado um objetivo pessoal.

Os dias passaram e, aos poucos e sem que fosse preciso ninguém me convencer, fui enchendo o saco dos políticos do meu Estado (e de outros…). Passei a acompanhar Diário Oficial, telejornais, TV Câmara, TV Assembleia e outras mil fontes. Onde estava a coerência, a convicção de outrora e a promessa mirabolante de uma Paraíba unida, sem diferenças? A verdade, caro colega, é que isso não existe e NUNCA vai existir. Não vai existir uma nova Paraíba porque isso não é interesse dos que sobem nos palanques do Interior e prometem felicidade àquelas pessoas sem comida, sem dentes e sem expectativas de vida. Desculpa o choque de realidade.

Campanhas políticas, e falo isso por experiência própria, não são racionais. Mexem com a emoção, com o imaginário, com os sonhos dessas pobres pessoas. As pessoas acabam lutando contra ou a favor de dois lados que, na verdade, são da mesma moeda. Triste realidade. Talvez fosse melhor morrer na ingenuidade.

E aqueles jovens e adultos engajados da campanha? Hoje vejo que não conheço UM ÚNICO que tenha sido abandonado pelas fontes do Estado/Prefeitura. Todos estão bem acomodados em seus gabinetes, ou então são parentes de um deles. Ah, um ponto importante: sem querer ser chata, sua opinião política NÃO CONTA se você é parente de candidato ou se recebe dinheiro ou benefícios de qualquer um deles. É triste, mas é assim. Você é alguém que lutará pelos SEUS interesses, e não pelo coletivo. Isso é tipo assim… LÓGICO. Ou a opinião do técnico do Flamengo conta na hora de uma conversa sobre o melhor time do Brasil?

Você pode estar se perguntando se me arrependo dos dias de dedicação à esta causa, e a resposta é NÃO. Foi necessário para que eu percebesse que os políticos não mudam, não mudarão. Que a convicção política e os verdadeiros ideais ficaram perdidos em alguma tarde ensolarada de 1970, quando jovens universitários pensavam no coletivo. Talvez, hoje, os que tenham alguma consciência coletiva já estejam sem voz e forças para entrar na luta.

Aprendi que para fazer política, não é preciso estar em um partido ou vestir as cores de um candidato. Política é feita no dia a dia, semeando boas ideias e boas práticas. Lutando por direitos e instigando outros a fazerem o mesmo. É ser cidadão e ajudar o próximo sem esperar pela boa vontade dos governantes. É ser racional em épocas eleitorais e fiscalizar as decisões dos que estão no poder. O resto, meu brother, é POLITICAGEM.

Você também pode gostar de ler isso aqui

4 Comments

  1. Super concordo com você, acreditar nos políticos hoje em dia é o mesmo que acreditar em Papai Noel. Hey Fernanda, parabéns pelos textos, espero que meu blog e minha carreira se compare a sua um dia (mesmo com meus pais querendo que eu curse Direito). Tenta dar uma olhadinha no blog se puder. Obrigada, beijinhos!

  2. Hey Marcela, que legal você por aqui!
    Então, se você acha que gosta mesmo de escrever e comunicar, acho que precisa ter um papo sério com seus pais e explicar isso (aconteceu o mesmo comigo). Vi seu blog e você tem um grande potencial ;) Continue escrevendo, lendo bastante e, o mais importante, acreditando no que você quer para si mesma. Volte sempre! Beijo

  3. Sobre este tópico, imaginar que políticos (sejam de que esfera do poder forem) estão imbuídos do desejo, ou mesmo obrigação, de prover justas e melhores condições de vida para a população, para tanto, respeitando a constituição e os demais códigos, é mera ilusão.

    Esses tempos na política, são joguetes de demonstração/aquisição de poder através das “alianças” que são os FINS e não mais o MEIO de se obter poder necessário para mudar algo.

    Todos nós somos agentes políticos, e por termos uma ideia de sociedade desejada e do que fazer para chegar e ela, devemos montar nosso próprio plano de governo e todos os políticos que se encaixarem nele, devem receber seu voto, e não votar no “menos ruim”.

    Hoje estou plenamente convicto de que não devo votar em ninguém que não me convença de que consegue implementar meu plano de governo, e tem que explicar bem explicado!!

  4. obrigada Fernanda, fico muito feliz que tenha gostado do blog, mesmo.. é bom ouvir isso ainda mais de você. Me aceita no facebook, vai haha.. ja te enviei um monte de solicitaçao, ai a gente se fala por lá tamem. Espero que aceite… beijao… podexa que acompanho seu blog sempre :)

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>