Não te vejo há três dias, mas te amo.

173H

Ontem visitei uma amiga grávida. Aos 4 meses de gravidez, a última vez que a tinha visto foi em seu casamento, há mais de um ano. Antes do seu casamento, não lembro quando nos encontramos pessoalmente, só sei que foi uma noite divertida de sushi, risadas e fotos de banheiro. Antes desse distanciamento, éramos amigas de todas as horas, de dormir na casa da outra, dividir bobagens e seriedades da vida, de preparar presente pra namorado, emprestar roupa e tudo isso. Só que a vida, essa engraçadinha, dá uns rumos diferentes a relacionamentos.

Somado a isso, uma verdade: sou desligada para um monte de coisas, e para amizades não é diferente. Namoro e família não: isso é coisa de todos os dias mesmo; é gente que aguenta a gente mesmo quando a gente não quer aguentar nem a gente mesmo.

Tenho amigos com os quais passo dias sem falar. Passo meses sem ver. Gente que tá longe ou mora na outra rua. Quando acontece um reencontro é uma festa! É como se nunca tivéssemos nos desgrudado antes. Não preciso estar perto deles para saber que me amam. Não gostaria que pensassem que não os amo por não estar sempre perto.

Não acho isso bonito, mas tenho dificuldades no regar das flores da amizade. Não por não querer, não por não amar. Adoraria que meus amigos que tanto amo soubessem disso. Mas nem todos sabem, e eu os entendo.

Das 5 formas de mostrar amor e se sentir amado, propostas por Gary Chapman, talvez tempo de qualidade seja a minha quarta ou quinta linguagem do coração. Costumo transmitir e perceber o amor em palavras de afirmação e encorajamento. Um grande amigo disse: “Fernandinha, teus olhos brilham de um jeito bonito quando digo que estás bonita ou que fizestes um bom trabalho“. É por aí.

Mas reconheço essa falta de proatividade com relação a amizades. Sei que tem gente muito querida perto de mim que se sente amada com tempo de qualidade. Nesses casos controlo a hiperatividade e desconecto do celular e do mundo da lua para simplesmente estar. Ligar. Sentar ao lado de propósito em uma mesa cheia de gente. Olhar nos olhos. Perguntar como está. Dizer que lembrou. Tão bom ser lembrado…

Não vou mentir: tenho pouca paciência com amizades que cobram demais. “Puxa, faz três dias que a gente não se vê“. Puxa, faz três dias que mal vejo minha mãe nessa correria doida que é a vida! Três dias que não te vejo, mas que no meu quarto, sozinha, abro um sorriso com a foto que você postou daquela viagem maneiríssima que você fez. Que bom que está feliz. Quero sim te ver, e quero que em nosso reencontro tenhamos a alegria e a cumplicidade de quem nunca esteve distante.

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