Não há como fugir da mídia tradicional

Engana-se quem acha que a Internet é o refúgio dos avessos à programação global noturna. Se você não quer sentar no sofá e assistir a novelas naquela passividade marota, não tente fugir nas redes sociais.

Basta acessar o Twitter das 18h às 23h30 para se deparar com um sem número de críticos de novela. Tem comentário para todo gosto: sobre a atuação, os desfechos, trilhas sonoras, diálogos e aparência dos personagens. Já tinha observado isso há um tempo, mas hoje é meu primeiro dia de férias e me dei o luxo de passar a noite inteira vendo o que a turma aprontava na web.

Os jovens antenados passaram a noite quase inteira se dedicando a acompanhar as novelas e tecendo comentários na rede. Note que novelas, há um tempo não muito distante, eram vistas como coisa de mulher desocupada. Hoje gente que faz e acontece – seja macho ou fêmea – está ligadinho na programação.

Essa breve análise é despretensiosa e tem a intenção de despertar o debate. É justamente o lado visto como inútil da mídia tradicional – e aqui se incluem os BBBs da vida – que vem pautando os Trending Topics no nosso País. Justamente o lado criticado, há um tempo atrás, pela nova geração de jovens que abraçava o mundo novo das internets.

Eu mesma – que nunca assisto – estava lá dando meus pitacos de especialista em PROJAC:

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3 Comments

  1. As mídias tradicionais são elas próprias resultando de um processo de evolução histórico. Por exemplo, os jornais ‘sensacionalistas’ (“The Sun”) e ‘desportivos’ foram desde princípio os formatos que tiveram sucesso junto do grande público. A tendência de o futebol e os casos-do-dia (de sangue) predominarem nos jornais diários de maior tiragem é uma caracteristica que acompanha a imprensa desde o seus primórdios.

    Poderia isto sugerir-se como prova que o grande público desde sempre teve falta de (“bom”) gosto. Mas é indispensável a análise complementar, ver quais os meios (‘mídias’) que se dedicavam a publicação e circulação de análises políticas, jornalismo dito ‘literário’, e todos os outros ‘géneros’ que se reclamam e assumem como tendo ‘contéudo’ e ‘valor’ por oposição aos formatos de ‘entertainment’.

    So após caracterização completa do espaço de produtores e consumidores, que constitui o campo denominado de ‘mídia’ seria possivel nas relações de concorrência e complementariedade caracterizar um agente no espaço social em função dos seus gostos e hábitos de consumo (da ‘mídia’).

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