Desfazendo malas

A pior parte de uma viagem é, sem dúvida, desfazer as malas. Isso porque eu nunca escuto minha mãe, quando diz que estou levando roupa demais e sapato demais para poucos dias. Respondo que “mais é melhor”, que “é bom ter opções na hora de se vestir”. E acabo sendo obrigada a arrastar uma mala pesada quando viajo. Tão pesada que nem as rodinhas ajudam muito no processo.

Nos últimos dois meses, eu viajei tanto que agora me peguei pensando nisso – e não consigo deixar de fazer uma comparação com minha própria vida. Muitas vezes carregamos, em uma espécie de “mala interior”, coisas que não são necessárias. Que às vezes fazem até mal. Acumulamos nessa mala tantas tarefas, obrigações, decepções, mágoas e sentimentos que acabamos adquirindo dores na lombar antes dos 30 anos, de tão pesado que é o fardo. Levamos tanta coisa inútil que às vezes nem sobra espaço para colocar aqueles souvenirs legais e lembranças que valem a pena ser cultivadas.

Mas um dia – por bem ou por mal -, percebemos que é preciso desfazer as malas. É preciso colocar roupas sujas na máquina de lavar e jogar coisas fora. Sem dó, sem piedade. Somente porque sabemos que aquilo não nos serve mais.

É chato, é enfadonho. O trabalho de separar roupas sujas de roupas limpas é cansativo. Assim como é doloroso identificar o que precisamos tirar de vez da mala de nossa vida.

Quando temos coragem de fazer isso é uma delícia. Nossas roupas sujas estarão limpas em breve em nosso armário. O que não nos serve mais vai deixar de ocupar espaço em nossa casa. Em nossa vida. E aí abrimos espaço para o que pode trazer mais sentido para nós. Para o que importa. Para o que pode nos fazer bem.

O que você precisa tirar de sua mala hoje?

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5 Comments

  1. Muito bom o texto. Senti isso recentemente, não ao desfazer as malas, mas ao organizar minha estante de livros e o guarda roupa. Jogando coisas fora, comecei com o básico que todos descartam, a roupa furada, velha, démodé. Com os livros, apostilas e trecos, a mesma coisa. Mas depois que vc vê o que sobra percebe que muito do que vc ainda está guardando pode ser descartado também. Coisas que vc julgou importante no ano anterior e falou ‘isso eu vou guardar pois vou usar’, e reencontra um ano depois e tem aquela agradavel surpresa de ainda ter aquilo, mas para quê? Coisas que é melhor descartar ou passar adiante para alguem que faça bom proveito. Guardar o que importa, como vc disse. Mas temos de descobrir antes o que é importante, o que nos deixa feliz.

  2. Cheguei aqui nesse blog pelo texto do ônibus que ADOREI. Acabei de ler esse também, muito bom! Já nem sei mais o que preciso tirar da mala, são tantas coisas… Mas só o trabalho de pensar nisso já vale! Parabéns pelo blog; favoritado!

  3. legal seu blog Fernanda! e muito legal o texto.
    eu viajo muito também e tive que aprender na marra a fazer as malas, o ideal é planejar mermo porque na prática vc só troca de roupa duas vezes por dia (passa o dia com uma e a noite com outra) e ainda dá pra fazer combinação com peças chaves (tipo duas calças jeans, um casaco e canga são coisas q vc pode usar sempre com qualquer roupa e foda-se) e dae sobra espaço pra trazer os presentinhos tão necessários!

    acho q o maior problema é o consumismo, ah isso nao combina, ah isso tá fora de moda, ah preciso de um salto, uma rasteira, um chinelo, uma bota, um tenis, outra rasteira, um salto brilhante, etc etc

    uma vez passei tres meses viajando, fiz um mochilão com dois amigos, minha mochila tava tao pesada q tive q doar minhas coisas pelo caminho pq nao aguentava mais carrega-la!
    mas agora eu aprendi e minha vida cabe dentro de uma mochila de 43 litros pelo tempo que quiser!

    Boa sorte

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