“Concerteza” e outras aberrações

De todas as anomalias da Língua Portuguesa escrita, a mais curiosa é o “concerteza“. Esta junção monstruosa da preposição “com” e do substantivo “certeza” revela, além do erro em si, um certo zelo pela escrita correta.

Se o cidadão não manjasse NADA de Português, não hesitaria em escrever “comcerteza”, pela lógica. Mas não. Seria burrice demais… ele sabe que “m” só se usa antes de “p” e “b“. Ele até memorizou a regrinha do MPB. Antes do “c“? Jamais.

Tudo bem, admito que um “cidadão comum” pense quatro vezes antes de decidir entre “porque”, “por que”, “porquê” e “por quê”. Eu confesso que me atrapalho, pergunto aos universitários e ao São Google… e ainda fico temerosa na hora de elaborar a frase.

Mas o “com certeza“… Ah, esta expressão é comum demais; presente demais em nosso dia-a-dia. O que pensar disso, então? Como lidar? Com certeza não sei.

O “mas” e o “mais” é outra obviedade que ainda me faz torcer o nariz quando vejo alguém trocando as bolas. Mas será possível que cada vez mais as pessoas erram isso?

Sem falar no cara-pálida que diz “pra mim fazer“. É talvez o equívoco mais comum no português falado. E soa como berro aos meus ouvidos. É demais para eu entender. Explica para mim?

Espero ter ajudado você, leitor, de maneira descontraída, a identificar esses pequenos problemas enquanto é tempo. Sim, nunca é tarde para uma nova vida.

Última dica: leia mais. O contato diário com as palavras é o melhor professor de gramática. E a aula certamente será maravilhosa.

Ressalva: Este texto não é dedicado às pessoas que não tiveram oportunidade de ter acesso à uma educação de qualidade. É para você, universitário bundão, que gasta horas pensando em bobagem em vez de aprender o próprio idioma.

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22 Comments

      1. Olá! Curti seu texto e estou achando o blog criativo. Parabéns! Em tempo, acabo de ver um “conSerteza” no facebook que me deixou angustiada…

  1. Ahhhh existe um clássico que dá nos nervos, até tuitei sobre isso dia desses. o velho “estar / está”. ô povo pra gostar de usar esse verbo no infinitivo com a terceira pessoa… todo mundo ESTAR cansado disso!

  2. Eita, menina, tem é que dar um tapa, mesmo, na cara da Educação, no Brasil, viu?! Foi boa! Tomara que B, se destine a fazer o blog dele para ver se ajuda mais gente por aí…

    Beijo!

  3. … depois de ler isso me lembrei até da última ligação que recebi de uma fnucionária de “fidelização” (rsrsrsrsrs … ) da Telefônica … Pois ela “estaria” verificando posteriormente a minha reclamação junto a companhia e depois “estaria” voltando a entrar em contato comigo para “estar podendo” resolver o meu problema …. Rsrsrsrsrs … Será mesmo que ela vai conseguir ??? Falta de treinamento e capacitação dentro das empresas por aqui tb são dolorosos Fer …

  4. Acho q tem um sinal indicativo de crase sobrando ali, hein?! Não há crase em “acesso a uma educação de qualidade”. Mas, realmente, o “brasileiro” parece um problema quando deveria ser a solução..

  5. Concerteza é um comentário muito pertinente.
    Mais não se preocupe, por que quem faz o português somos nós mesmos e um dia a palavra concerteza estará escrito em todos os dicionários.

  6. Aff… eu tenho taquicardia qd leio aberrações como essas. O “concerteza” já virou clássico, mas tem outras palavrinhas que me fazem ter síncopes: VOÇÊ (ai!); QUIZER (ui!); ATRÁZ (oh God!); PREVILÉGIO (aiinn); IORGUTE (…); CABELELEIRA (!!!) etc etc etc…

  7. Eu como voce, “naum cunheço” estas “palavra tombem”…
    Vou alí me enforcar e já volto. rsrsrsrsrsrsrs

  8. A pronuncia brasileira das palavras afastou-se tanto da escrita que até era mais correcto começar a escrever o “maís” em vez do “mas” e o “muiéé” em de vez “mulher”.

    Porque, bem vistas as coisas, é a palavra escrita que passou a estar incorrecta.
    O brasileiro não tem culpa de a mesma palavra ser escrita e dita de formas diferentes, em tantos casos.

    Devias tentar dizer as palavras, rigorosamente da forma como são escritas. Ou seja, com a pronuncia Portuguesa, ias ver como fica horrível comparativamente.

    Mas se alguém alcança-se o perfeito domínio do Português, PT ou BR ou outro, transformar-se-ia num professor de Português.
    Ai, convenceria as pessoas a sua volta que são insuficientes e inferiores, ou simplesmente burras. Afirmando simultaneamente, de forma implícita, a sua própria superioridade.
    E é ai, que a língua Portuguesa, seja PT ou BR ou PALOP, passa a ser usada como instrumento de dominação cultural, linguística mas acima de tudo simbólica.

    Resultando numa distinção social.
    Na maior parte dos casos, o professor de Português esta a criticar a forma como falamos na nossa família ou etnia ou comunidade. Classificando-o errado ou ignorante ou
    equivalente…

    Portanto não culpem o ensino ou o sistema de educação.
    Culpem a violência simbólica que rodeia o domínio da língua Portuguesa.
    Historicamente, este mesmo domínio da língua foi sempre usado para discriminar o cidadão comum e legitimar as elites (quem dominam a língua). As violências associadas ao uso da língua Portuguesa são incontáveis.

    O próprio Vinícius de Morais assume ter aperfeiçoou o seu Português para poder bater-se com as elites sociais no campo linguístico e literário. A sua obra inovadora foi fruto disto, era um homem do povo a tentar ganhar reconhecimento (uma luta), escrevendo sobre assuntos e usando formas que as tradicionais elites não utilizariam.
    Criando uma nova dimensão para a língua no processo.

    Um autor semelhante é José Saramago, talvez o escritor da língua de Camões mais libertador de todos os tempos, para quem vive subjugado e julga o seu Português insuficiente.
    Ainda bem que o homem tratou de violar as regras todas do Português por nos.
    Ganhou o prémio Nobel no processo e legitimou uma utilização mais livre do Português escrito.

    A sexta língua mais falada do mundo, mas parece que ninguém sabe falar ou escrever bem Português. Uma língua quase utópica, que passamos uma vida inteira a aprender mas nunca realmente alcançamos. E no entanto, uma das línguas mais fáceis de aprender, que se disseminou pelo mundo e pelos povos, sem para isso precisar de escolas ou universidades.

    Gostei do teu texto « “Concerteza” e outras aberrações».
    Espero que gostes do meu modesto contributo.

    F.Pessoa

    P.S. Cheguei aqui pelo google porque estava com duvidas sobre como escrever a palavra. Lamento, mas não percebo nada de Português.

  9. O erro que eu mais vejo é a utilização de “Jogarão” no lugar de “Jogaram”, e outras palavras em que o “ão” entra no lugar do “am”.

  10. fala sério,todo mundo comete algum erro de português
    seja na pronúncia ou na escrita,nóssa lingua é muito complicada podia ser mais simples.é muita muita coisa mesmo e por mais que você ache que sabe tudo sempre dara uma garfe.quanto mais você pode saber melhor,claro.

  11. No seu texto, a frase “Se o cidadão não manjasse NADA de Português” o emprego do ‘não’ está errado.
    Ele está ‘sobrando’.

  12. Antes eu acreditava que a arrogância e a prepotência eram diretamente proporcionais ao nível de intelectualidade. Depois de ler esse texto, percebi que estava enganado. És perfeita? Nunca erraste nada, em nossa língua que é considerada uma das mais difíceis do mundo?! Ah, por favor…

  13. Massa! Gostei muito da explicação. Não estava entendendo porque quando estava escrevendo a palavra “concerteza”, ela estava ficando sublinhada!!!

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