10 coisas para fazer pela primeira vez antes dos 30

Tenho pensado muito sobre voltar a fazer coisas pela primeira vez. A gente faz tudo todo dia tão sempre igual, né?

Daí que tá chegando meu aniversário e sempre que alguém muda um dígito nos vinte e poucos só consegue pensar em uma coisa: a chegada dos famigerados 30 anos. E como eu adoro um prazo e uma meta pra bater, resolvi usar essa idade emblemática na vida de um jovem para planejar 10 coisas para fazer pela primeira vez antes de virar uma trintona (enxutíssima, claro).

Confesso que deu preguiça e fui procurar na Internet algo pronto com as aspirações e anseios alheios, mas só achei listas bizarras com itens como “pular de pára-quedas”, “conquistar um amor da infância”, “fazer um mochilão pela Europa dormindo em bancos de praça e se alimentando de Mc Donalds” e etc. Fiquei com preguiçzzzzzzzz disso tudo e resolvi fazer uma lista com a minha cara. Segue:

1) Viajar para o interior para fazer fotos de sertanejos e registrar suas histórias incríveis;

 

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2)  Subir no palco de um bar com música ao vivo, pedir o microfone e cantar alguma baladinha romântica de Paul McCartney dos anos 80;

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3) Falar e compreender francês em ótimo nível;

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4) Entender de vinhos em um nível razoável – que me permita, ao menos, escolher o título certo para um determinado prato;

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5) Fazer uma gentileza anônima a um grande número de pessoas aleatórias e desconhecidas, como espalhar chocolates em vários pontos da cidade com bilhetes grampeados trazendo a frase “para você, que é muito especial”;

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6) Dançar tango;

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7) Fazer uma viagem de aventura com amigos – e isso inclui mergulho, rapel e essas outras coisas perigosas. Sem salto de pára-quedas, importante ressaltar;

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8) Correr uma maratona;

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9) Ver o sol nascer em um lugar em que nunca estive ouvindo as músicas de alguma rádio local e bebendo um Chandom;

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10) Andar de roda gigante. Sim, para mim este é um desafio equivalente a pular de para-quedas.

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Graça x Karma, por Bono

Vi aqui um trecho do livro  “Bono in conversation with Michka Assayas“, onde Bono fala sobre a diferença entre graça e karma. Achei tão interessante a forma simples com que o cantor fala de um conceito teológico profundo que resolvi traduzir livremente e trazer pra vocês. Bono pode não ser um teólogo, mas é sua percepção pessoal que nos leva a repensar um monte de coisa e, sobretudo, relaxar e descansar no amor do Criador.

Grifei umas partes que considerei importantes:


“É uma ideia maluca essa de que o Deus que criou o Universo quer companhia, quer um relacionamento real com as pessoas, mas o que me deixa de joelhos é a diferença entre Graça e Karma…

Você vê, no centro de todas as religiões está a ideia de Karma. Você sabe: tudo que você faz volta para você, olho por olho, dente por dente ou, na Física – nas leis da Física – toda a ação tem como resposta outra ação igual e oposta. Está claro para mim que o Karma está no coração do Universo, estou absolutamente convicto disso.

E ainda, vem essa ideia chamada Graça que derruba toda essa coisa de “à medida que você colhe, portanto, você vai semear”. A graça desafia a razão e a lógica. O amor interrompe as consequências de suas ações – no meu caso é, de fato, uma boa notícia, porque eu tenho feito muitas coisas estúpidas.

Isto é entre eu e Deus. Eu estaria muito ferrado se o Karma fosse meu juíz. Eu estaria na mais profunda merda. Isto não justifica meus erros, mas eu confio na graça. Confio que Jesus levou meus pecados na cruz porque eu sei quem sou, e eu espero que eu não tenha que depender da minha própria religiosidade.

O cerne da morte de Cristo é que Ele carregou os pecados do mundo de forma que o que gente faça não volte para para a gente, e que nossa natureza pecaminosa não nos faça colher a morte óbvia. Este é o ponto! Isto deveria fazer de nós pessoas mais humildes. Não são as nossas boas obras que nos farão atravessar os portões do Céu…

Se nós apenas pudéssemos ser um pouco mais como Ele, o mundo seria transformado. Tudo que eu faço é levantar-me sobre a Cruz do Ego, a ressaca ruim, conceitos ruins. Quando eu olho para a Cruz de Cristo, o que eu vejo lá é toda a merda que já fiz – e a de todo mundo também. Então eu pergunto a mim mesmo a questão que muita gente tem feito: “Quem é este homem”? e “Ele foi quem Ele disse que era ou apenas um fanático religioso”? E aí está, esta é a questão. E ninguém pode te falar se é um ou outro”.

Para quem quer ler mais sobre essa (maravilhosa) graça, clicaqui!

* Traduzido livremente por mim. Como fiquei com dúvida em algumas frases, peço que me ajudem com algum trecho que pode ser melhor traduzido. :)

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Antissociais

Eu estava com a cabeça reclinada na janela do ônibus. Dezenas de rostos passavam do lado de fora. Nenhum que eu fosse lembrar 2 segundos depois. Nos fones de ouvido alguma música de Leeland me levava a fazer dos meus dedos indicadores baquetas imaginárias no banco da frente. Em algum ponto da avenida mais movimentada da cidade senti um perfume que nunca senti antes – e olhe que de perfume eu entendo. Vinha de dentro, vinha do meu lado. Virei para saber do que – ou de quem – se tratava.

Era um rapaz apressado que sentou-se ao meu lado meio estabanado com sua mochila e papéis na mão. Ele guardou os papéis na mochila e continuou segurando o livro. Sem ler. Apenas segurando. Ninguém segura um livro à toa. Se não está bem guardado, é porque está ali para ser ostentado. Como uma jóia de valor, uma chave de carro importado ou uma roupa de marca. Só que para chamar a atenção de outro público. Diminuí o volume da música – o motivo eu não sei – e observei melhor.

O exemplar de “O Remorso de Baltazar Serapião” estava prestes a cair quando ele precisou tirar a gravata e arregaçar as mangas de sua camisa social rosa. A propósito… homens que usam roupas cor-de-rosa estão no caminho certo. Além do perfume, do livro e da camisa cor-de-rosa, ele usava óculos de grau daqueles estilosos e um brinco de argola preto. Tinha pouco cabelo e aparentava uns 25 ou 26 anos. Tinha cara de publicitário. Mas publicitário tem que usar all star e camiseta. Então logo descartei a hipótese.

Tirei um dos fones de ouvido – o motivo eu não sei – e continuei olhando para a janela, fingindo inutilmente alguma concentração na paisagem. Queria perguntar sobre o livro. Queria contar quais eu estava lendo. Quis que ele perguntasse o que raios eu estava ouvindo. E, por sua aparência, ele ia dizer que curte algumas daquelas bandas que ninguém nunca ouviu falar. Mas chegou a hora de eu descer.

– Licença!
– Vai descer?
– Sim.

E fui-me.

Pensei que se ele fosse uma foto do Instagram eu teria curtido. Se fosse um post do Facebook eu teria compartilhado. Nem se fosse aquele post irrelevante, que você acha bacana por um momento e nunca mais volta a pensar naquilo. Mas ele estava ali; humano, gente, carne e osso. Eu sequer olhei de lado, mesmo achando que dali sairia alguma conversa divertida e “um até breve” no final (ainda que o “breve” fosse um “nunca mais”).

Poderia contar várias histórias de pessoas que passaram por mim e deviam ser interessantes. Teve a senhora que parecia ter muita história dos anos 60 pra contar. O estudante de ensino médio para me relembrar os tempos de vestibular. A menina do cabelo afro que tinha cara de simpática e mora perto da minha casa.

É. Acho que estamos ficando antissociais.

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Tenho medo de viajar de avião

Este texto já começa com uma confissão pública no título: tenho medo de avião. Não acredito que existe, no mundo, alguém que goste de viajar de avião. É inconcebível que você se sinta totalmente confortável em uma geringonça que voa a milhares de pés de altura. “Ah, mas a tecnologia…“. Pois é, os caras do Titanic disseram o mesmo.

Nós usamos este meio de transporte por motivo de necessidade, não por ser algo prazeroso. A prova disso é que as companhias aéreas fazem uso de muitos artifícios para te distrair durante o voo: oferecem lanchinho, montam uma equipe de lindas aeromoças, preparam rádios com programação para todos os gostos e ficam passando vídeos bonitos de casais que se conheceram em um voo com destino a Paris. Tudo isso seria convincente se não fosse a janela ao lado e o chacoalhado angustiante da máquina.

Quando falo disso, lembro da minha primeira viagem de avião, em abril de 2011. O rapaz do checkin perguntou se eu preferia janela ou corredor. Aquilo soou meio como “cadeira elétrica ou câmara de gás”. Respondi apenas um “tanto faz” e acabei indo parar justamente na janela da saída de emergência.

Isso é o que eu chamo de provação de fé. Logo que me acomodei uma das aeromoças veio me explicar os procedimentos que eu deveria executar em caso de “pouso espontâneo na água ou no solo“. Tive vontade de vomitar.

Depois do ritual macabro de aprendizado das técnicas de salva-vidas, todos estavam esperando o avião alçar voo. Assim como eu, todos fingiam que estavam tranquilos. Nisso, sempre vai existir a pessoa que tem problemas e continua usando o celular mesmo após o aviso que todos os aparelhos eletrônicos devem ser desligados no momento que o avião vai voar… e eu sempre me seguro para não voar no pescoço dessa gente.

Então chegou a hora. O avião começou a ganhar velocidade para subir. Neste momento eu já tinha clamado pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo. Fechei os olhos, senti as mãos congelarem e masquei compulsivamente o chiclete que comprei no saguão do aeroporto por R$5. Não sei quanto tempo permaneci naquele estado de estátua. Quando finalmente abri os olhos, olhei para o lado e vi um chão de nuvens. Em um ímpeto, fechei a janela e peguei uma revista qualquer.

Abre, é tão lindo. Quero ver a paisagem“, pediu uma senhora que estava ao meu lado.

Como não quis parecer babaca, abri e passei a viagem toda tendo náuseas. E ainda sendo obrigada a apreciar a vista com um sorriso amarelo, sempre que ela apontava para algum ponto qualquer da paisagem. Ok, seriam somente 3 horas de voo direto pra São Paulo.

Minutos depois, começaram a servir o lanche e pude relaxar um pouco durante os 15 minutos que levei para comer o sanduiche. Depois desse momento, a bexiga de todos os passageiros começa a apertar e fica aquele trânsito enlouquecido de passageiros em direção ao banheiro. Quanto a mim, nunca desatei os cintos em todas as viagens que fiz. Principalmente porque SEMPRE enfrento turbulências e ouço o recado sarcástico do piloto: “estamos passando por uma turbulência, mas convidamos vocês a relaxarem e apreciarem o voo“. Que?

Quando finalmente o piloto acordou e retomou os controles do avião, avisou que o mesmo já estava se preparando para o pouso. Fiz uma expressão de “ah, mas já acabou?” e procurei agir naturalmente, sem expressar a imensa alegria de não ter precisado usar a tal saída de emergência…

Depois desse dia fiz outras viagens e, apesar de não terem sido tão emocionantes e marcantes, continuo fechando os olhos e gelando a espinha dorsal a cada decolagem…

E você, gosta de viajar de avião? Conte para mim suas experiências malucas através do Twitter ou aqui mesmo nos comentários. ;)

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Por que andar de ônibus faz bem ao seu caráter

Não confie completamente em uma pessoa que nunca andou de ônibus. Não importa se hoje você tem um Camaro Amarelo (e é doce doce doce), se você já andou de ônibus em uma fase de sua vida, você não é a mesma pessoa. Digo mais: ainda que você tenha condições de comprar um Porsche para o seu filho quando ele fizer 18 anos, permita que ele passe ainda que poucos meses andando de ‘busão’. É que, para mim, este meio de transporte forma nosso caráter como chinelada nenhuma consegue fazer. Explico nos pontos seguintes.

1) Paciência
Tudo começa no processo de espera. Você se vê encostado na parada de ônibus esperando pela boa vontade do mesmo. Você até já decorou o horário que o “seu” ônibus passa. Mas se o motorista resolver pisar forte no acelerador e passar 3 minutos antes, só resta a você esperar mais 45 minutos pelo próximo.

2) Lidar com a humilhação
Vem ao longe o ônibus. Você reconhece no letreiro luminoso que é o SEU ônibus. Seu coração acelera. Você corre atrás dele como o Super Mario corre atrás da Princesa. Ele se aproxima e você percebe que o condutor não diminuiu a velocidade. Por algum motivo, o motorista passou direto com direito a um sorriso maroto, apontando para um suposto ônibus que vem atrás. Você fica com cara de tacho e a mão apontando para o nada.

3) Respeito às diferenças
Quando o “ônibus de trás” finalmente chega após 23 minutos, é claro que ele estará parcial ou totalmente lotado. Você se depara com um misto de sons e batuques, pessoas do Manassés pedindo doação, menino vendendo balinha e o cobrador com o humor pior do que o de um siri na lata. Você toca, ainda que não queira, pessoas que você jamais tocaria na zona de conforto de seu carro. Você é obrigado a lidar com gente diferente, sentar ao lado delas e até puxar assunto sobre “como o tempo hoje está quente”. Enfim: você deixa de lado seu ego e deixa de tanta frescura.

4) Altruísmo
Ainda que contra sua própria vontade, as Leis da Ética de Ônibus™ ‏dizem que você deve ceder seu lugar aos mais velhos e se oferecer para segurar os livros do estudante de ensino médio do cabelo esquisito que está em pé ao seu lado. Resumindo: você aprende NA MARRA a ser gente boa.

5) Capacidade cognitiva e filosófica
Janela de ônibus é praticamente a janela de sua alma. Não existe um lugar melhor para refletir sobre sua vida e colocar os pensamentos em ordem. Nem seu travesseiro; nem montes no Himalaia. Você acaba encontrando soluções para seus problemas, resolvendo cálculos complexos e tendo a ideia que faltou naquele brainstorm da reunião. Ou seja, de certa forma você se torna mais inteligente.

6) Educação
É no ônibus que você coloca em prática as palavras mágicas que sua mãe ensinou: “obrigado” (para o motorista, na hora de descer), “por favor” (a Deus, para que seu ônibus não demore tanto – todo dia peço isso a Ele) e principalmente o “COM LICENÇA” (por motivos óbvios). Ou seja: 1 ano de estágio probatório pegando ônibus e você se torna um gentleman ou uma lady.

7) Histórias para contar pros netos
Quem nunca passou por situações exóticas, engraçadas e inusitadas em ônibus? Quem nunca pegou o ônibus errado e foi parar em uma boca de fumo? (eu já!) Quem nunca ia descendo do ônibus e só na escadinha disse: “eita, esqueci de pagar! Perae moço!” (eu já) Quem nunca já sentou ao lado de uma senhora que foi com sua cara e resolveu te aconselhar com muita sabedoria? (eu já…)

É isso, pessoal. Se vocês lembrarem de mais benefícios trazidos pelo ônibus, deixe nos comentários ou fale comigo via Twitter. Terei o maior gosto em compartilhar experiências com vocês.

Update: curta a página do blog no Facebook :D

 

 

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Desfazendo malas

A pior parte de uma viagem é, sem dúvida, desfazer as malas. Isso porque eu nunca escuto minha mãe, quando diz que estou levando roupa demais e sapato demais para poucos dias. Respondo que “mais é melhor”, que “é bom ter opções na hora de se vestir”. E acabo sendo obrigada a arrastar uma mala pesada quando viajo. Tão pesada que nem as rodinhas ajudam muito no processo.

Nos últimos dois meses, eu viajei tanto que agora me peguei pensando nisso – e não consigo deixar de fazer uma comparação com minha própria vida. Muitas vezes carregamos, em uma espécie de “mala interior”, coisas que não são necessárias. Que às vezes fazem até mal. Acumulamos nessa mala tantas tarefas, obrigações, decepções, mágoas e sentimentos que acabamos adquirindo dores na lombar antes dos 30 anos, de tão pesado que é o fardo. Levamos tanta coisa inútil que às vezes nem sobra espaço para colocar aqueles souvenirs legais e lembranças que valem a pena ser cultivadas.

Mas um dia – por bem ou por mal -, percebemos que é preciso desfazer as malas. É preciso colocar roupas sujas na máquina de lavar e jogar coisas fora. Sem dó, sem piedade. Somente porque sabemos que aquilo não nos serve mais.

É chato, é enfadonho. O trabalho de separar roupas sujas de roupas limpas é cansativo. Assim como é doloroso identificar o que precisamos tirar de vez da mala de nossa vida.

Quando temos coragem de fazer isso é uma delícia. Nossas roupas sujas estarão limpas em breve em nosso armário. O que não nos serve mais vai deixar de ocupar espaço em nossa casa. Em nossa vida. E aí abrimos espaço para o que pode trazer mais sentido para nós. Para o que importa. Para o que pode nos fazer bem.

O que você precisa tirar de sua mala hoje?

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